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Tópicos - igorschutz

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Fórum principal / Relógios de carros
« Online: 12 Abril 2009 às 23:22:28 »
Amigos,

Vejam nas fotos da matéria abaixo o relógio que acompanha este Rolls-Royce:

http://carsale.uol.com.br/noticias/ed101not10809.shtml

Style, hã? Patrão é outro nível... 8) 8) 8)


Abraços,

Igor, proletário

102
Flávio e demais amigos interessados,

A notícia não é nova, mas só vi hoje:
Uma das molas do H1, primeiro cronômetro marítimo de John Harrison, quebrou e terá de ser reparada.
Aproveitando a oportunidade, o Royal Observatory de Greenwich (ROG) desmontará, revisará e catalogará o relógios e todas as suas peças.
O mais legal é que o Curador de Relojoaria do Observatório, Jonathan Betts, se dispôs a atualizar constantemente o blog do ROG com algumas notícias sobre este processo.

Por enquanto, há apenas três posts sobre o assunto, mas acredito que virá mais por aí, por isto estou acompanhando.

Quem tiver interesse, pode visitar o blog aqui: Royal Observatory of Greenwich blog

Os três tópicos sobre o H1 são:

Assim que mais posts saírem, vou atualizando este tópico.

Um abraço a todos,

Igor

103
Fórum principal / Será que é uma boa idéia? Líquido dentro do relógio.
« Online: 20 Março 2009 às 11:43:16 »
Amigos,

A Concord está soltando aos poucos informações sobre o modelo C1 QuantumGravity, que irá lançar na BaselWorld 2009, que começa em 26 de março.

Um press release de hoje informa que o referido relógio "demolirá" o design tradicional, ao adotar um mecanismo de indicação de reserva de marcha que funciona com... líquido!
Vejam nas fotos. Trata-se de um pequeno cilindro quem contém líquido verde fluorescente, que marca a reserva de marcha de acordo com o nível do líquido:


Fonte: Concord Press Release @ Watchluxus

O que vocês acham da idéia? Legal? Radical? Muito esforço para pouco resultado? Tem medo do cilindro quebrar e causar uma catástrofe no seu relógio multimilionário?

Eu, particularmente, não gostei. É um negócio bem diferente, "ars gratia artis", porém acho que o esforço criativo poderia ser melhor aproveitado em algo que realmente importa, como a cronometria, por exemplo.

De qualquer forma, estarei de olho no lançamento! :D

Um abraço a todos,

Igor

104
Fórum principal / Os fabricantes e o compromisso com a informação correta
« Online: 16 Março 2009 às 16:07:26 »
Amigos,

Estive passeando num Shopping e pude ver um Tudor Iconaut, como o abaixo, numa vitrine:


Fonte: Site oficial da Tudor

O relógio é belíssimo e fiquei encantado. Estou pensando seriamente em adquirí-lo. :-*

Bem, mas o tópico não é sobre isso, é sobre a ética dos fabricantes na divulgação de informações corretas sobre seus produtos, então, continuando...

Cheguei em casa sedento por informações sobre o relógio, e fui direto ao site do fabricante. Chegando lá, visitei o mini site do Iconaut, que detalha informações sobre as características e funções do relógio.
Clicando no link "Chrono", eis que leio uma bobagem imperdoável:



A todo momento, o site refere-se ao cronógrafo como cronômetro!

Tudo bem, para um leigo um equivoco deste é totalmente escusável, afinal, penso eu que apenas os iniciados realmente chamam um cronógrafo de cronógrafo, pois para o povão é cronômetro mesmo, no entanto, estamos falando aqui de um site oficial de um fabricante! E não é de uma empresinha fundo-de-quintal...
Eles têm obrigação de usar o termo correto! Fossem aplicáveis as leis brasileiras a este caso, esta obrigação seria até mesmo de cunho legal.

Não sei quantos de vocês costumam visitar sites de fabricantes, mas é normal ver bobagens como esta escritas por aí?

Acho que a Tudor errou feio nesta, MUITO FEIO, ainda mais em se tratando de uma empresa afiliada à Rolex, que sabe melhor que ninguém o significado da palavra "cronômetro"...

Abraços,

Igor

105
Fórum principal / Como você conheceu o FRM?
« Online: 16 Março 2009 às 11:03:24 »
Olá amigos!

Este fim de semana eu estava conversando com minha esposa e relembrei as circunstâncias que fizeram com que eu viesse a conhecer este nosso Fórum Relógios Mecânicos. Foi mais ou menos assim:

A vida inteira, sempre gostei de relógios, mas meu conhecimento era limitado à saber da existência de algumas poucas marcas, e que existiam relógios "de pilha" e automáticos, sendo estes últimos antigos e raros.
Pra mim, o que diferenciava um relógio de pilha de um automático era o ponteiro de segundos, que nos automáticos eu achava muito mais legal, pois ele girava continuamente, ao invés de pular de um em um segundo; e também que o automático funcionava com o movimento do braço -- na minha cabeça era algo meio mágico -- e, portanto, nunca precisava trocar bateria. ;D

Certo dia, em meados de 2000, meu pai me deu um Poljot Sturmanskie antigo, que ele havia comprado para mim numa visita que fez à feira da Praça Benedito Calixto.
Achei o relógio demais, mas, para minha tristeza, dois dias depois ele parou... "Com certeza foi vendido quebrado", pensei, pois eu o chacoalhava e o ponteiro de segundos funcionava um pouquinho e logo parava. Qual não foi minha surpresa ao meu pai me explicar que o relógio parou por falta de corda, pois ele não era automático? Eu nem sabia que existia relógio de corda! Daí meu pai me ensinou como se dava corda no relógio, girando a coroa. :o

Bom, devido a minha ignorância, este relógio sofreu um monte na minha mão. Eu até tomava banho com ele (o Sturmanskie não é a prova d'água nem quando 0 km, imagina sendo velho e sem manutenção)! Claro que um dia ele não iria agüentar... :-X
Num desses banhos, entrou vapor pelo vidro. Coloquei o coitado pra secar debaixo de uma lâmpada, mas não adiantou muito. Precisou de uns dois dias para a condensação no vidro sumir por completo. Após este desastre, o relógio passou a atrasar muito, coisa de 5 minutos por hora!
Como o bicho estava imprestável, larguei-o numa gaveta... :-[

Mais ou menos um ano depois, em meados de 2001, estava revirando minhas coisas e reencontrei o Poljot. Dei corda, na esperança que o relógio tivesse se curado sozinho, mas ele estava atrasando ainda mais. Lembrei o quanto gostei do relóginho quando meu pai o trouxe, e decidi que ele não podia ficar assim.
Entrei na internet e procurei um relojoeiro. Por sorte, o primeiro resultado para "relojoeiro" no Google era uma oficina perto da minha faculdade (a PUC, lá em Perdizes). No dia seguinte deixei o relógio lá, explicando exatamente o que aconteceu.
Passado um mês, não tive qualquer contato do tal relojoeiro, então voltei lá e o questionei quanto ao serviço. Na maior cara-de-pau, com jeito de malandro, o sujeito disse que não havia nada de errado com o relógio. Reparei que o relógio sequer havia sido aberto, e expliquei que era óbvio que o relógio estava com problemas, afinal ele atrasava mais de 10 minutos por hora. O relojoeiro pediu para que o relógio ficasse mais um tempo, para ele "observar melhor". Claro que não permiti! >:(

Quando voltei para casa, vasculhei melhor a internet em busca de outro relojoeiro e caí num tal "Fórum Relógios Mecânicos".
Naquela época o contato era mais fácil, pois não precisava se registrar para postar, então pedi uma indicação de relojoeiro. Lembro-me claramente que logo um usuário de nick "Alberto Ferreira" me respondeu, indicando um "José Carregalo" lá de Moema.
Fui lá no Carregalo, expliquei direitinho o que aconteceu e fui muito bem atendido. Ele perguntou onde eu o havia encontrado e eu disse que foi uma indicação de um Fórum, e mencionei o Alberto. Ele reparou que eu estava olhando com muita curiosidade uns movimentos desmontados em sua bancada, e me explicou um monte de coisas. Fiquei fascinado com aquele monte de pecinhas! :D

Depois disso, dia a dia minha curiosidade sobre relógios aumentou, e comecei a correr atrás de informação. Aí passei a freqüentar o Fórum diariamente. Depois, me registrei e passei a postar também, e assim minha paixão foi crescendo, e hoje estou aqui, escrevendo este texto e rendendo minhas homenagens a este lugar que mudou tanto minha vida. ;)

Quando cheguei aqui, chamava cronógrafo de cronômetro; achava que Patek Philippe devia ser tão bom quanto Tag Heuer (mas para pessoas velhas); fiquei indignado ao saber que existiam relógios de R$ 10 mil; achava que Rolex era o melhor relógio do mundo; Seiko, Citizen, Orient, Technos, e outros, eram relógios de pedreiro; achava que cristal de safira jamais seria riscado; e por aí vai... Isso há apenas 8 anos atrás!

Esta é minha história de como vim parar aqui (desculpem pelo tamanho do texto). Como é a de vocês?

Abraços,

Igor

106
Botequim / [OT] Parafuso espanado
« Online: 10 Março 2009 às 15:33:20 »
Amigos,

Primeiramente, desculpem o off-topic.
Tentei procurar a resposta para a minha pergunta pela internet inteira, mas não consegui achar nada que se aplique ao meu caso. E como sei que aqui no Fórum tem diversos colegas com bastante habilidade manual, talvez alguém saiba me ajudar.

Meu problema é o seguinte: possuo um notebook no qual o acesso aos slots de algumas placas é feito por uma tampinha na parte inferior do mesmo. Essa tampa é presa apenas por um simples parafuso com fenda tipo philips.

Pois bem, eu precisava acessar um destes slots e, ao tentar soltar este parafuso, eu espanei sua fenda, isto é, a fenda deixou de existir e agora a chave philips gira em falso (não sei exatamente se "espanar" é o termo correto).
Isto aconteceu porque o parafuso havia sido muito bem preso, por meio de uma chave elétrica, utilizada pelo último técnico que desmontou meu computador. Ao tentar abrir com uma chave philips manual, a fenda do parafuso [que é muito mole] cedeu...

Procurei na net alguma receita para tentar abrir parafusos espanados, mas todas requerem que se lubrifique o parafuso de alguma forma (WD40, óleo de cozinha, manteiga, óleo Singer, etc.) ou utilize um alicate.
Infelizmente, nenhuma das duas possibilidades é viável: não é possível jogar óleo no notebook, por motivos óbvios, e a cabeça do parafuso é muito pouco espessa para ser pega por um alicate.

Algum dos amigos saberia algum truque, ou teria alguma dica de como eu poderia retirar este parafuso?
Fiquei pensando: se o parafuso de um relógio espanar, como um relojoeiro faria para retirá-lo? Talvez eu pudesse fazer o mesmo procedimento!

Certa vez vi uma técnica na net, mas é muito complexa e precisa de materiais que não possuo: quando a cabeça de um parafuso quebra e a rosca ainda está parafusada no relógio, faz-se um furo pequeno no cilindro da rosca e, lá dentro, cola-se uma espécie de tige com trava-rosca. Depois de seco, é só torcer a tige, no sentido de desparafusar. Voilà!
Isso é bacana, e certamente serviria pra mim, mas onde é que vou arrumar uma micro-furadeira pra fazer o tal furo?

Bom, é isso aí! Talvez ninguém saiba como ajudar, mas estou atirando pra todo lado, e quem sabe sai alguma coisa boa daqui?

Abraços,

Igor

107
Fórum principal / Qual o relógio mecânico mais preciso do mundo?
« Online: 13 Fevereiro 2009 às 10:51:18 »
Amigos,

Vocês sabem qual é o relógio mecânico mais preciso do mundo?
Vale todas as categorias...

 :-X


Querem saber?
A resposta (completa) vem no final de semana. ;)

Abraços,

Igor

108
Fórum principal / Vocês conhecem o Speedmaster... mas e o Spacemaster?
« Online: 05 Fevereiro 2009 às 09:20:45 »
Amigos,

Todos vocês devem conhecer o famoso Omega Speedmaster, o relógio utilizado por todos os astronautas norte-americanos em EVA, mas conhecem o Fiyta Spacemaster?


O Spacemaster é um relógio especialmente desenvolvido pela Fiyta para o uso dos taikonautas chineses em EVA.
A empresa alega que seu desenvolvimento durou 3 anos, e que utiliza um exclusivo movimento "in house" (provavelmente baseado numa cópia chinesa do ETA 7750), que foi testado e aprovado pelo Centro de Treinamento de Astronautas da China em rigorosos testes, como os já conhecidos da NASA.
Eles têm orgulho em dizer que a China é a única nação que utiliza relógios nacionais em suas caminhadas espaciais.




O modelo original, que realmente foi utilizado em EVA pelo taikonauta Zhai Zhigang na missão Shenzhou VII, possui 54 mm de diâmetro, caixa em titânio, cristal de safira e fundo metálico, aro rotativo com marcação de 8 horas (tempo-limite do oxigênio dos trajes chineses para EVA) e coroa com trava especial.
Seu movimento cronógrafo a corda manual possui um diferenciado acumulador de 45 minutos e um de 12 horas, e também um indicador AM/PM, útil para que o taikonauta não perca a noção do horário terrestre.

A Fiyta aproveitou a oportunidade da primeira caminhada espacial chinesa, em setembro de 2008, para lançar duas edições limitadas comemorativas do Spacemaster: uma com 50 unidades, com relógios exatamente iguais aos utilizados pelos taikonautas, e outra com 700 unidades, com uma versão menor do relógio (45 mm de diâmetro) e caixa em aço.

Gostaram do relógio? Eu gostei (não achei maravilhooooooso, mas é legalzinho), mas os tais relógios são caros pacas. O de 54 mm custam mais de US$ 10.000 (!!!) e o de 45 mm você encontra por uns US$ 2.000 nos eBay da vida.

Quem estiver afim, é só dar um googlada em "Fiyta Spacemaster" que achará algumas ofertas.

Abraços,

Igor

P.S.: Alguns links relacionados:

109
Fórum principal / Omega De Ville Hour Vision no Brasil?
« Online: 04 Fevereiro 2009 às 14:41:15 »
Amigos,

Alguém já viu em loja, ou ao menos sabe da venda do Omega De Ville Hour Vision no Brasil?

Abraços,

Igor

110
Fórum principal / Conhecem tubo nixie?
« Online: 30 Janeiro 2009 às 13:31:13 »
Olá amigos,

Vocês conhecem o tubo nixie?


Para os que não conhecem, e descrevendo em linguagem leiga, o tubo nixie parece uma lâmpada incandecente porém com diversos filamentos, cada um no formato de um número (do 0 ao 9).
Trata-se de uma tecnologia antiga e já extinta, utilizada nos tempos em que não existiam LED, LCD e congêneres, para mostrar números numa infinidade de aplicações, tais como elevadores, calculadoras e aparalhos eletrônicos em geral.

No mundo ocidental, os tubos nixie tiveram uma vida curta, porém sobreviveram -- e sobrevivem ainda -- nos defasados equipamentos soviéticos.

Devido ao seu aspecto retrô, os tubos nixie possuem muitos fãs (eu incluso), que os utilizam principalmente na fabricação de relógios de mesa, que ficam com um visual incrível (steampunk).

Há um tempo atrás comprei um kit de relógio com tubos IN-18 (dígitos com 40mm de altura) para o estúdio de Pilates da minha mulher, e mandamos fazer uma caixinha de madeira, o resultado foi este (desculpem as imagens tosquíssimas):






O kit era assim (adquirido aqui):



Agora eu morro de inveja dela, por ter um relógio nixie e eu não :P .

Quem se interessar, é só procurar por "nixie clock" no Google ou eBay, que achará kits e até mesmo relógios prontos dos mais variados tubos e tamanhos.

Um abraço,

Igor

111
Fórum principal / Experiências com a joalheria Natan?
« Online: 27 Janeiro 2009 às 19:50:21 »
Olá amigos,

Alguém aqui já teve alguma experiência com a joalheria Natan, seja boa ou ruim?

Possuo um IWC Fliegerchronograph ref. 3706, como o da foto abaixo, que foi um dos meus primeiros relógios mecânicos e que usei bastante para "bater" (coitado!): nadei no mar, tomei banho no chuveiro, entrei na sauna, entrei em ofurô, chacoalhei, corri, pulei, enfim, acho que já dá pra imaginar pelo que ele já passou.



No entanto, por incrível que pareça, o relógio aparentemente está novo (produto bom é outra coisa!), exceto dois detalhes: o vidro (de safira) está riscado e o mostrador também (cagada de um famoso relojoeiro).
Tudo bem que não é um RISCÃO, e nem dá pra ver direito a não ser com o relógio na mão, mas é algo que me incomoda.

Pois bem, depois de tanto sofrimento que dei ao bichinho, eu quis presenteá-lo com uma reforma completa, no próprio serviço autorizado IWC, representada pela Natan no Brasil, para que ficasse 0 km.

Mandei um e-mail para a Natan pedindo um orçamento e eis que chega a resposta:
  • Revisão (com polimento): R$ 1.965,00
  • Troca do vidro: R$ 1.235,00
  • Troca do mostrador: R$ 1.250,00
  • TOTAL: R$ 4.450,00
  :o :o :o

O que vocês acham desses preços? Bem, eu acho um tremendo absurdo!  >:(
Até cheguei a brincar com a moça que me respondeu, pedindo para que fizessem a revisão aqui no Brasil mesmo, e não na Suíça, mas ela respondeu que sim, a revisão era efetuada no Brasil...

Como o negócio era sério, fui me informar. Questionei uma conhecida autorizada daqui de São Paulo quanto ao preço desses serviços, se efetuados num relógio da mesma categoria e com o mesmo movimento (base ETA 7750), e tive como resposta que a revisão sairia por 1/4 desse preço (R$ 450 contra R$ 1.965,00). E isso é numa autorizada, e não num relojoeiro independente!

Achei o valor tão absurdo que mandei um e-mail à IWC explicando a situação, mas não me deram ouvidos...   :-[ :( :'(

Bom, posto isso, digo que minha experiência com a Natan foi péssima. Triste mesmo, com preços inacessíveis. Por este valor, é melhor comprar logo um outro IWC usado do que mandar revisar.

E vocês? Alguém tem algo a dizer?

Abraços,

Igor


112
Fórum principal / História + Relógios = John Harrison
« Online: 26 Janeiro 2009 às 14:32:58 »
Olá amigos!

Alguém aí gosta de História? Eu adoro!
Como bom curioso “patológico”, este é um dos meus assuntos favoritos, pois, como costumo dizer, a História explica o presente.
Sou fissurado em História Antiga, História Militar, História de Monumentos/ Construções/ Empresas/ Objetos... mas o melhor mesmo é quando posso unir duas das minhas maiores paixões: História e relógios!

Na linha do tempo da relojoaria, um dos pontos de destaque vai do ano de 1713 até 1765, e concentra-se na figura de um camarada inglês chamado John Harrison.

Bom, acredito que muitos de vocês devem ter lido algo sobre ele, ou ao menos já ouviram este nome, seja num dos excelentes artigos do nosso Grão-Mestre Flávio, ou aqui mesmo no nosso Fórum.
Eu também conheci o John Harrison aqui, e a isto devo agradecer ao Flávio, por ter me apontado este que é um dos mais fascinantes personagens da comunidade relojoeira, se não da comunidade científica!
   
Explicando rapidamente para os que não o conhecem:
John Harrison foi um inglês nascido e criado num pequeno e isolado vilarejo rural no ano de 1693. Seu pai era carpinteiro e, portanto, Harrison seguiu o ofício.
Não se sabe como, John Harrison começou a reparar e construir relógios. Isso em pleno início do século XVIII, quando estes instrumentos eram raros e coisa de gente rica. Portanto não se via relógios por aí, e certamente Harrison não teve fácil acesso a modelos nos quais se inspirar.

O interessante é que, exatamente por não ter acesso à tecnologia relojoeira da época, os relógios de John Harrison eram bem diferentes de tudo o que fora produzido até então. E o detalhe: todos muito, MUITO precisos, mais precisos do que os melhores relógios de mestres como Julien Le Roy, Thomas Tompion e George Graham.

É uma coisa fantástica de se imaginar como um humilde carpinteiro da roça assimilou de maneira tão completa os princípios da ciência relojoeira – que contém um pouco de física, um pouco de química, um pouco de matemática, e por aí vai – a ponto de saber exatamente em que pontos estavam as deficiências dos relógios da época e como combatê-las!
O cara ou era um ET, ou um viajante do tempo, ou, mais provável, um gênio nato: ele inventou simplesmente do nada engrenagens que não precisavam de óleo (manja rolamento? Então, John Harrison inventou); um jeito de se dar corda sem parar o mecanismo (o “stop work”, embutido até hoje em qualquer relógio); mecanismos de compensação de temperatura (vejam, no plural!); e um escapamento muito especial (Grasshopper), que quando posto para funcionar pode ficar séculos sem manutenção.

Mas o que marcou John Harrison e que fez com que a História carregasse esse nome até os dias de hoje foi seu envolvimento com a descoberta de um método para se descobrir a longitude.
Naquela época, Era das Grandes Navegações, os marinheiro navegavam às escuras, sem saber exatamente em que ponto do oceano eles se localizavam. Obviamente ocorreram muitos acidentes e muita gente e cargas preciosas foram perdidas.
Na tentativa de pôr um fim a estes desastres tão comuns, o governo inglês ofereceu uma quantia [hoje] milionária para quem inventasse um método preciso para se determinar a longitude dos navios em movimento (a latitude já era facilmente encontrada).

Dentre todos os métodos imagináveis, dois se destacavam entre os cientistas teóricos como sendo os caminhos a se percorrer: a observação dos astros, que exigiria potentes telescópios, muita coordenação (tente olhar num telescópio em um navio balançando!), compilação de tabelas e MUITO cálculo (umas quatro horinhas, com o método já bem desenvolvido); ou um relógio bem preciso, que marcasse com exatidão o horário do porto de saída (do qual a longitude já era conhecida), para comparação com o horário local do navio.
Para estes teóricos, o primeiro método era complicado e trabalhoso, mas era o único que oferecia alguma esperança, já que um relógio que se mantivesse preciso no rigor de uma viagem de navio era praticamente impossível (Sir Isaac Newton disso isso!).

O problema é que estes teóricos não contavam com John Harrison!

Este camarada – repito, um mero carpinteiro da roça – fez o que parecia impossível: desenvolveu o tal relógio super preciso.
Sinceramente, gostaria de detalhar aqui o quão difícil foi fazer um relógio que se mantivesse preciso durante uma viagem de navio, mas não o farei, pois para isso precisaria (re)escrever um livro, mas posso dizer que este relógio, para obter tal precisão (-5 segundos em seis semanas!), precisou vencer o balanço do navio, precisou vencer a extrema umidade e a enorme variação de temperatura a que foi submetido, e ainda precisou ser portátil. Tudo isso numa época em que mesmo os reguladores de pêndulo variavam minutos por dia!

O feito parecia tão fantástico, mas TÃO fantástico, que John Harrison, ao invés de ter sido aclamado como um grande gênio logo de cara, foi visto com desconfiança, penou horrores para conseguir que lhe pagassem o prêmio prometido. Seu relógio teve de ser submetido a repetidos e exaustivos testes, a fim de provar que a assustadora precisão não se tratava de sorte ou trapaça.

No fim das contas, seu famoso relógio, o H4, não se mostrou muito influente a ponto de servir como modelo para os futuros cronômetros marítimos, pois era por demais complicado, mas John Harrison foi fundamental para provar para as futuras gerações que era sim possível a fabricação de relógios super precisos, e que este era o método definitivo para se encontrar a longitude. Ele foi a espoleta que deu o disparo para a corrida pela precisão.

Para os colegas que conseguiram chegar até aqui, deve ser fácil entender o quão fascinante é este capítulo para a História da relojoaria. E para os que desejarem se aprofundar ainda mais sobre Harrison e seus relógios, sugiro uma leitura: escaneei a transcrição de um discurso proferido em 1935 por Rupert T. Gould – uma das maiores autoridades em Harrison e seus relógios – que aborda este assunto de uma maneira fácil e gostosa de ler, e ao mesmo tempo bem detalhada, de um jeito que eu jamais conseguiria igualar.

O link é este aqui: John Harrison and his timekeepers, por Rupert T. Gould (no Firefox, clique com o botão da direita e em "Salvar link como..."). Arquivo longo, com 6,5 MB, escaneado em qualidade de impressão e fotos dos relógios de Harrison.

Espero que gostem, e espero ter convencido ao menos um colega a se aprofundar neste assunto (pelo visto, acho que só o Flávio e eu gostamos dessas coisas aqui no Brasil).
Se quiserem maiores informações ou dicas, possuo em minha biblioteca diversos livros que tratam sobre John Harrison, e posso dar maiores recomendações.

Um abraço a todos, e desculpem a looooonga mensagem!

Igor

113
Fórum principal / Apresentando-me...
« Online: 24 Janeiro 2009 às 23:54:52 »
Boa noite a todos!

Meu nome é Igor de Lacerda e Schütz, tenho 27 anos e sou de São Paulo/SP.

Há anos atrás eu participava com certa assiduidade deste Fórum, porém dei uma saída para "tomar um suco" (isso já faz mais de três anos); por isso alguns colegas devem se lembrar de mim e outros nunca viram mais gordo. ;D

Venho acompanhando o Fórum na surdina já há um certo tempo (ainda no antigo ForumNow), a fim de me acostumar ao "clima" e ir conhecendo os novos colegas, portanto posso afirmar que já me sinto em casa (novamente! :) ). Espero que não se incomodem de eu sair metendo o bedelho em tudo...

Aos que pediram minha presença, digo que só não voltei antes pois havia feito uma promessa pra mim mesmo de que só voltaria a postar novamente assim que colocasse no ar um artigo que há tempos tenho tentado finalizar, mas a preguiça não permite.
Pois bem, o artigo ainda não está pronto (e, se me conheço bem, é capaz de jamais ficar do jeito que planejei), mas está difícil de ficar longe desta minha ex-casa, onde fiz muitas amizades e aprendi MUITO; a saudade apertou demais!  :D
Por isso, vou seguir a sugestão do meu amigo Bruno Recchia e ir pondo o artigo no ar aos poucos. A primeira parte está pronta desde Agosto. Já o restante... vai saber! ;D

O artigo trata da trajetória, obras e conquistas do meu relojoeiro favorito: George Daniels.
Daniels é considerado por muitos (por mim também, claro) o maior relojoeiro vivo, um verdadeiro Gênio (com G maiúsculo) da relojoaria.
A primeira parte do artigo, que está no ar, percorre a trajetória do nosso herói desde a sua infância miserável até a produção da sua maior obra -- o escapamento Co-Axial -- pela Omega.
Outras partes do artigo discorrerão sobre o funcionamento do Escapamento, falarão sobre os livros publicados por Daniels, mostrarão os prêmios e títulos ganhos por ele, bem como outros fatos rápidos, e terminarão com uma bibliografia completa, com links, filmes, animações e artigos sobre o famoso Mestre.
Só espero conseguir terminar tudo isso como ele ainda em vida (atualmente Daniels tem 82 anos, portanto talvez eu não tenha muito tempo, eheh)!

É isso aí! É muito bom poder voltar ao contato diário com os outros doidos por relógios. Espero que eu possa voltar a aprender muito com os colegas e, quem sabe, ensinar alguma coisa.  :)

Um abraço forte em todos, e muito prazer!

Igor

P.S.: Flávio, por favor, link o artigo no seu site. Logo mais terei outros.

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