Autor Tópico: Nem todo quartzo é igual...  (Lida 798 vezes)

Offline igorschutz

  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 7.660
  • Santo Anjo do Senhor de piroquinha
    • Ver perfil
    • http://igorschutz.blogspot.com/
Nem todo quartzo é igual...
« Online: 29 Abril 2019 às 15:17:57 »
Recentemente, com a criação do tópico 'Que relógio quartzo porcaria você está usando hoje?', houve muito debate acerca do que seria um "quartzo porcaria".

De forma bastante sucinta, explicou-se que "porcaria" seria uma forma debochada de se referir àquelas relógios quartzo 'insignificantes', sendo sua insignificância oriunda do fato de serem produtos de tecnologias hoje corriqueiras.

Entretanto, houve um tempo onde os relógios quartzo eram produtos de vanguarda, frutos de avanços eletrônicos em um mundo ainda analógico.
No começo dos anos 70, quando os relógios de pulso com movimento quartzo começaram a chegar às prateleiras, a tecnologia ali presente não tinha absolutamente nada de insignificante.

Uma empresa que sempre esteve à dianteira das inovações na tecnologia quartzo é a Seiko, que, no Natal de 1969, ofereceu ao mundo o primeiro relógio de pulso quartzo comercial, o Seiko Astron.

Pouco mais de um ano depois, em 1971, a Seiko tinha no mercado o Seiko 3823 VFA (sigla em inglês para 'Very Fine Adjusted', ou, em tradução literal "Muito Bem Ajustado"), um precursor dos movimentos quartzo produzidos em massa, porém, neste caso, com uma alta dosagem de trabalho manual, tal qual recebiam seus antecessores movimentos mecânicos.
Seu cristal quartzo era escolhido a dedo dentre os melhores exemplares cultivados, seu movimento continha pontes, engrenagens e rubis, era ajustado à mão em 6 posições (sic) e temperatura e recebia acabamento manual em pontes e mostradores. Coisas que, hoje em dia, raramente encontramos em relógios mecânicos, imagina nos quartzo!

Tá OK, mas por quê estou falando disso? É porque este fim de semana apareceu uma relíquia dessas à venda no Mercado Livre e achei que viria bem a calhar abordar este assunto, para mostrar um belo exemplo de relógio que não é caro, é quartzo e mesmo assim possui GRANDE relevância para este Fórum.




E, para acompanhar, segue um link que recomendo a todos verem, onde um Relojoeiro (R maiúsculo!) compra um relógio de modelo idêntico, porém baleado, e todos os procedimentos que ele emprega para deixar o relógio funcionando como novo. Vejam só como, após quase 50 anos, o relógio continua "reparável" e pronto para mais algumas décadas de funcionamento, tais quais nossos amados relógios mecânicos.

https://adventuresinamateurwatchfettling.com/2019/02/05/seiko-3823-7001-quartz-vfa/


Aproveitem!

Igor

P.S. 1: O anúncio foi finalizado, só por isso tomei a liberdade de abordar este assunto por aqui.
P.S. 2: Não, eu não adquiri o relógio e nem conheço quem adquiriu.
« Última modificação: 29 Abril 2019 às 15:19:30 por igorschutz »
Opinião é como bunda: todos têm a sua. Você dá se quiser.
Opinião é como bunda: você dá a sua e eu meto o pau.

NÃO ACREDITE NO QUE 'FALAM' AQUI, ESTUDE BEM E TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Offline Desotti

  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 1.979
  • SAY HELLO TO MY LITTLE FRIEND...
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #1 Online: 29 Abril 2019 às 17:47:38 »
A restauração do Seiko é sensacional e mostra o esmero do movimento.

Infelizmente hoje a sofisticação de certos movimentos a quartzo considerados "nobres" não significam necessariamente que possam ser reparados, vide o que tem ocorrido com o calibre E20.321 dos Omega X-33, que quando dão problema normalmente necessitam de substituição.

Offline Adriano

  • Moderador Global
  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 6.267
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #2 Online: 29 Abril 2019 às 18:26:51 »
No caso do X-33, e quase todos os quartz modernos, não é que não podem ser reparados, mas sim que seus componentes-chaves, avulsos, podem custar o mesmo que um mecanismo completo a base de troca. Mesmo na Suíça, é mais econômico trocar com a fábrica (ETA) do que reparar localmente. Aqui então, com os impostos sobre os componentes...

Mas é uma questão econômica, não técnica. E circuitos integrados são a única maneira de fazer um mecanismo desses ser viável. Tudo bem que, se pifar, tem que trocar o circuito todo. Mas se fosse fazer um circuito moderno, soldado ponto a ponto, com cápsula de cristal selada a mão, bobina enrolada uma a uma... Ia custar mais que um turbilhão.

Dar vida a mecanismos antigos assim é exceção à regra. Normalmente mecanismos assim, se der problema na parte eletrônica, não tem recuperação. Eu estimo que mecanismos dessa era, para dar recuperação, é um em 200 e olhe lá.

Abs.,

Adriano

Online mestreaudi

  • Moderador Global
  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 3.023
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #3 Online: 02 Maio 2019 às 14:31:27 »
Já vi esse modelo algumas vezes navegando pela web.
Não sabia de sua relevância!
Excelente, Igor.
Abs!
Rafael.

Offline flávio

  • Administrador
  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 8.498
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #4 Online: 02 Maio 2019 às 14:51:09 »
Aliás, ao visitar o Museu de Relojoaria de La Chaux de Fonds, deparei-me com a primeira tentativa da Longines de fazer um mecanismo a quartz, no ano de 1969. Tirei até uma foto, está em algum lugar nos meus alfarrábios, mas achei essa na rede

https://www.longines.com/uploads/history/1969-first-cybernetic-quartz-calibre-for-wristwatch-by-longines.jpg

Notem a quantidade de fiozinhos soldados no circuito, tudo feito à mão, para produção em protótipo, não em massa. Não é por outro motivo que esses troços, na aurora do quartzo, custavam mais caro do que o mais caro dos relógios mecânicos.

Offline Desotti

  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 1.979
  • SAY HELLO TO MY LITTLE FRIEND...
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #5 Online: 02 Maio 2019 às 15:59:48 »
No caso do X-33, e quase todos os quartz modernos, não é que não podem ser reparados, mas sim que seus componentes-chaves, avulsos, podem custar o mesmo que um mecanismo completo a base de troca. Mesmo na Suíça, é mais econômico trocar com a fábrica (ETA) do que reparar localmente. Aqui então, com os impostos sobre os componentes...

Mas é uma questão econômica, não técnica...

Grato pelo esclarecimento Adriano.

Tópicos assim são sempre interessantes e informativos, inclusive no sentido de mudar idéias pré-concebidas que podem fazer algumas pessoas passarem a enxergar os movimentos a quartzo com outros olhos.

Offline Jefferson

  • Membro Sênior
  • ****
  • Mensagens: 350
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #6 Online: 16 Maio 2019 às 23:18:32 »
Obrigado Igor e aos colegas pelos esclarecimentos. Sempre tive muito preconceito com os relógios Quartz, mas tópicos assim, realmente ajudam a refletir e ter uma visão mais critica.

Offline MRodio

  • Membro hiperativo
  • ***
  • Mensagens: 119
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #7 Online: 17 Maio 2019 às 11:12:06 »
Lembro de ter lido uma matéria sobre o Oysterquartz, cujo movimento demorou 5 anos para ser desenvolvido.
Inclusive, acho o design dele sensacional. Alguém possui?

Offline ejr888

  • Membro de honra
  • *****
  • Mensagens: 1.030
  • EJR888
    • Ver perfil
Re:Nem todo quartzo é igual...
« Resposta #8 Online: 17 Maio 2019 às 12:23:45 »
Lembro de ter lido uma matéria sobre o Oysterquartz, cujo movimento demorou 5 anos para ser desenvolvido.
Inclusive, acho o design dele sensacional. Alguém possui?

Já vi um de ouro, peguei em mãos e o acabamento era superior de todos os jeitos ao Day Date Presidente.
O tesão crescia tamanha qualidade até ver o letreiro QUARTZ no mostrador, micou na hora.

Era de um magnata da região e ficou consignado na loja esperando comprador por 15000 reais com
caixa de cortiça e todos os ATESTADOS e NF.
Depois voltou ao dono e sumiu.
Nunca mais vi um no mercado nacional e internacional.
« Última modificação: 17 Maio 2019 às 12:28:11 por ejr888 »