Raríssimos são os colecionadores de relógios soviéticos no Brasil. Em quase trinta anos convivendo com pessoas do meio, nunca conheci um colecionador dedicado ao tema. De vez em quando aparece alguém com um Amphibia ou um Sturmanskie, mais pelo exotismo da peça do que por interesse na história da relojoaria soviética.
Talvez por isso tenha ficado tão curioso quando surgiu, em 2026, o livro Soviet Watches, de Kim Jang. Afinal, trata-se de um tema cercado por lacunas documentais e sobre o qual existe muito pouca literatura acessível.
Minha impressão geral é positiva. O livro oferece um caminho organizado para quem deseja iniciar uma coleção de relógios soviéticos. O autor apresenta os modelos mais relevantes, suas fábricas de origem, comenta o estado atual do colecionismo, alerta sobre falsificações e até discute valores de mercado. Só por isso, já considero a obra recomendável.
Há, contudo, algumas limitações. A mais evidente é a ausência de fotografias, algo que o próprio autor promete corrigir em futuras edições. Não chega a comprometer a leitura, mas obriga o leitor a recorrer constantemente à internet para visualizar os modelos mencionados.
O estilo de escrita também lembra mais uma apostila do que uma obra em prosa. Em apenas cem páginas, a narrativa histórica acaba sendo necessariamente resumida. O capítulo sobre as origens da relojoaria soviética, por exemplo, é bastante superficial para um tema tão rico.
Também encontrei algumas imprecisões históricas e técnicas. Entre elas, a descrição da origem do calibre 3133 e certas explicações sobre o Raketa Copernicus, o Slava 2427 e o Luch 3055, que me pareceram questionáveis ou possivelmente afetadas por problemas de tradução.
Nada disso, porém, compromete o mérito principal do trabalho: reunir, organizar e apresentar informações dispersas sobre um dos capítulos mais obscuros da história da relojoaria.
Em resumo: leitura rápida, útil e recomendável, especialmente para iniciantes. Apenas sugiro que seja acompanhada por pesquisas paralelas e imagens dos relógios citados. O livro não é definitivo, mas é um bom ponto de partida.

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Talvez por isso tenha ficado tão curioso quando surgiu, em 2026, o livro Soviet Watches, de Kim Jang. Afinal, trata-se de um tema cercado por lacunas documentais e sobre o qual existe muito pouca literatura acessível.
Minha impressão geral é positiva. O livro oferece um caminho organizado para quem deseja iniciar uma coleção de relógios soviéticos. O autor apresenta os modelos mais relevantes, suas fábricas de origem, comenta o estado atual do colecionismo, alerta sobre falsificações e até discute valores de mercado. Só por isso, já considero a obra recomendável.
Há, contudo, algumas limitações. A mais evidente é a ausência de fotografias, algo que o próprio autor promete corrigir em futuras edições. Não chega a comprometer a leitura, mas obriga o leitor a recorrer constantemente à internet para visualizar os modelos mencionados.
O estilo de escrita também lembra mais uma apostila do que uma obra em prosa. Em apenas cem páginas, a narrativa histórica acaba sendo necessariamente resumida. O capítulo sobre as origens da relojoaria soviética, por exemplo, é bastante superficial para um tema tão rico.
Também encontrei algumas imprecisões históricas e técnicas. Entre elas, a descrição da origem do calibre 3133 e certas explicações sobre o Raketa Copernicus, o Slava 2427 e o Luch 3055, que me pareceram questionáveis ou possivelmente afetadas por problemas de tradução.
Nada disso, porém, compromete o mérito principal do trabalho: reunir, organizar e apresentar informações dispersas sobre um dos capítulos mais obscuros da história da relojoaria.
Em resumo: leitura rápida, útil e recomendável, especialmente para iniciantes. Apenas sugiro que seja acompanhada por pesquisas paralelas e imagens dos relógios citados. O livro não é definitivo, mas é um bom ponto de partida.

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