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Tópicos - flávio

#2
Fórum principal / Os piores lançamentos de 2025
09 Janeiro 2026 às 13:59:10
O design dos anos 90 caracterizava-se pelo uso de elementos orgânicos, muitas vezes resultando em objetos que pareciam não ter sido criados para serem usados por seres humanos. A Oakley explorou muito bem essa estética, tanto em relógios quanto em óculos, e o modelo que mais me vem à memória desse período são os "Over the Top". Estranhos à época, acabaram se tornando ícones alguns anos depois, por refletirem com precisão a cultura streetwear daquele momento. O lançamento do G-Shock "Alien" resgata esse espírito dos anos 90 e do início dos anos 2000 e, dirão alguns, trata-se de uma excelente jogada da Casio ao dialogar com as novas gerações e com o público mais jovem. Sabe aqueles filmes B que são tão ruins que acabam sendo bons? Pois é. Pensei bastante antes de colocar este relógio na lista, pois é perfeitamente possível que seu design se torne um sucesso — e até um ícone — em pouco tempo. Ainda assim, não me parece um relógio feito para a maioria das pessoas. Talvez para um alienígena. Por parecer um produto aportado no planeta Terra vindo de outro mundo — e de um lugar de onde, na minha opinião, não deveria ter saído —, ele merece o 5.o lugar na lista.






Quando a Omega lançou a primeira geração do Planet Ocean — da qual, inclusive, possuo um exemplar — o sucesso foi imediato: associação ao personagem James Bond, resgate claro dos códigos de design do passado (Seamaster 300) e altíssima resistência à água, tudo reunido em um pacote surpreendentemente elegante para um relógio com 600 metros de estanqueidade. Com o passar do tempo, veio um novo calibre mais espesso, o fundo em cristal de safira, lunetas em cerâmica... e o que era elegante transformou-se em um cebolão no pulso. Uma bigorna descomunal, a ponto de a crítica especializada passar a clamar por mudanças. A Omega ouviu as críticas e... retirou o cristal de safira do fundo para reduzir a espessura, retomando o cavalo-marinho — não esculpido, mas gravado a laser, numa preguiça difícil de justificar. Acrescentou ainda arestas trapezoidais às garras, traço comum em alguns modelos da Seiko, eliminando os vincos fluidos que caracterizavam as gerações anteriores. Reduziu também o tamanho do mostrador, que passou a parecer desproporcional em relação à caixa, como se algo estivesse sobrando ali. Mas o pior não foi isso, e sim o preço: inacreditáveis 10 mil dólares, território do Submariner — o que, previsivelmente, tende a resultar em descontos no varejo. Por ter levado um terno de Savile Row que tinha em mãos para ajustes em um costureiro de bairro sem a devida proficiência, com resultados absolutamente previsíveis, o Planet Ocean merece o 4.o lugar na lista.


Sou suspeito, pois não sou grande fã de relógios em cerâmica, especialmente os mais chamativos. Para comemorar seus 160 anos, a Zenith lançou uma linha de cronógrafos em cerâmica azul. O uso do material está em alta — não há como negar — e até a Audemars Piguet, que vem dialogando com um público mais jovem, já recorreu tanto à cerâmica quanto a essa paleta de cores. No caso da Zenith, porém, o resultado simplesmente não funcionou. Talvez por fazer parte do mesmo grupo da Hublot, a marca tenha sido atingida pelo raio "hublotizador" e acabado entregando algo que mais parece um modelo da irmã corporativa. O problema é que o relógio ficou com aparência de produto barato: plástico, vagabundo, indigno de uma peça comemorativa. Por criar um relógio de 15.500 dólares que se parece com um brinde do Sucrilhos Kellogg's, ele merece o 3.o lugar nesta lista.



Os calibres de cronógrafo da série 8 da Seiko estão entre os mais tecnicamente avançados do mercado. Por uma escolha estratégica, porém, equipam modelos de preço médio, como os Speedtimer, e recebem apenas um acabamento "dá para o gasto". Na minha opinião, bastaria usar essa base, aplicar a devida decoração, e o movimento poderia equipar qualquer modelo da linha Grand Seiko com louvor. Mas não. A Seiko optou por criar um novo cronógrafo para demonstrar sua capacidade técnica e, em vez de partir do zero com um movimento integrado, adaptou sua base de alta frequência e escape Dual Direct a um módulo recém-criado. Com o devido respeito, construção modular de cronógrafo não é o que se espera de alta relojoaria. Soa preguiçoso. No caso do Tokyo Lion, o pior nem é o uso desse movimento — que resultou, como esperado, em uma caixa de espessura considerável —, mas a completa bagunça estética: dezenas de facetados, cores estranhas, proporções excessivas. Tudo errado. Por ter criado um relógio que parece fruto da colisão entre um Jeep de algum exército africano e uma picape da Tesla, ele merece o 2.o lugar na lista.



Reza a lenda — porque confesso que não tive coragem de assistir — que a série de filmes Cinquenta Tons está entre as piores do cinema: começou ruim e terminou ruim. No ano passado,  elegi o Patek Cubitus como o pior lançamento do ano, por uma soma de fatores difíceis de ignorar: declarações soberbas de seu presidente, preço absurdo, design preguiçoso (algo que o ChatGPT faria melhor), enfim, tudo errado. Neste ano, reduziram o tamanho do relógio e, em certo sentido, conseguiram torná-lo "menos pior". Ainda assim, como no cinema, é muito difícil consertar uma franquia que já nasce ruim. Por entronizar tudo de mais nocivo da indústria relojoeira suíça contemporânea — soberba, preços elevados que não se refletem em artesania, e uma preguiça deliberada travestida de tradição —, o Cubitus merece, novamente, o primeiro lugar nesta lista.


#3
Fórum principal / Os melhores lançamentos de 2025
06 Janeiro 2026 às 15:13:36
A indústria suíça de relógios parece sempre, ou quase sempre, jogar dentro da previsibilidade. Atualmente, a moda entre os independentes do país são os relógios de três ponteiros aparentemente simples, mas com acabamento primoroso, custando cerca de 80 mil francos. Gostem ou não, a criação do estúdio de Xangai, Fam Al Hut, o Mobius, subverte a maioria dos códigos estéticos suíços ao apresentar um turbilhão biaxial, com marcadores de horas e minutos retrógrados. Pode não agradar a todos, mas pelo menos é algo que veste facilmente no pulso — ao contrário, por exemplo, da maioria das criações da MB&F, a primeira coisa que me vem à mente com pegada semelhante. Mas o melhor é o preço: cerca de 35 mil dólares. A Suíça não consegue, ou não quer, fazer coisa semelhante atualmente em seu território por menos de cinco vezes esse valor. Por representar um sopro de novidade numa indústria conservadora, merece o 5º lugar na lista.

O Peterman-Bédat 1825 é, sim, um representante da moda atual entre os independentes: relógios de três ponteiros, aparentemente simples, mas com acabamento primoroso e que invariavelmente custam um rim (no caso, 80 mil dólares). Mas beleza não é simplesmente moda; é o que é, algo que simplesmente agrada aos olhos. E como é belo o modelo 1825! A começar pelo mostrador verde esmaltado com duas técnicas, champlevé e flinqué. A caixa segue o padrão tradicionalíssimo, com garras soldadas, tudo em ouro. Mas o principal é o design equilibrado e não usual. Para dizer a verdade, não lembro de nada semelhante, que utilize uma ponte central em forma de "sino". Tudo meticulosamente acabado, perfeito. Merece o 4º lugar na lista.

Escapamentos totalmente mecânicos com impulso magnético já foram produzidos no passado e utilizados em despertadores. Mas nada similar à abordagem da Breguet no seu modelo Experimentale 1, que utiliza "trilhas magnéticas" em suas rodas de escape, de modo que o impulso ocorra de forma totalmente sem contato entre as partes. Mas não só isso: com um "empurrão" de fluxo constante de energia, torna-se possível que o relógio tenha uma marcha diária de até um segundo por dia — algo só alcançável na relojoaria mecânica portátil nos cronômetros de marinha. Mais importante ainda é o fato de que essa solução tecnicamente avançada e complexa surge num modelo da Breguet, honrando a imagem do relojoeiro homônimo, uma das mentes mais inventivas da história. Merece o 3º lugar na lista.

Imagine uma marca relativamente nova no mercado, como a Christopher Ward, criando um relógio totalmente ambicioso, com movimento de 144 horas de reserva de marcha, design industrial que chama atenção em qualquer lugar, sem parecer artificial, excelente acabamento e por 5 mil dólares. É isso que se encontra no Loco, modelo que segue o lançamento anterior da marca, o Bel Canto — ambos subvertendo as normas de preço da indústria. Por oferecer um relógio que aparenta custar muito mais do que custa, algo raríssimo, para não dizer inexistente, na indústria suíça de relógios, merece o 2º lugar na lista.

Thomas Mudge criou o escapamento de âncora para relógios portáteis em meados do século XVIII. Aperfeiçoado décadas depois por Josiah Emery, ainda demoraria quase 100 anos para que fosse realmente adotado como padrão na indústria suíça. Diversas marcas tentaram introduzir novos escapamentos em série em suas linhas de produção, mas apenas a Omega teve sucesso, com o escape Co-Axial, já na década de 1990. A Rolex, normalmente conservadora em suas criações, apresentou neste ano o Land-Dweller que, se visualmente joga no time conhecido do Oysterquartz do passado, traz em seu interior um escapamento totalmente novo, com impulso tangencial e duas rodas de escape. Mas não só isso. O movimento utilizado é o mais bem acabado já construído pela Rolex, assim como a pulseira, que, devido ao diminuto ponto de fixação à caixa, utiliza buchas e pinos em cerâmica — um exemplo de superdimensionamento voltado à durabilidade que só a marca faria. Por trazer um escapamento novo e que fatalmente será produzido em massa em breve, merece o 1º lugar na lista.
#5
Fórum principal / Relógios Caveira
18 Dezembro 2025 às 17:06:59
"Lembra-te de quão breve é a minha vida; para que fins criaste em vão todos os filhos dos homens? Que homem há, que viva, e não veja a morte? Ou que livre a sua alma do poder da sepultura?" — Salmos 89:47–48
Esta passagem ressalta a brevidade inexorável da existência humana. No hebraico, a palavra traduzida como "breve" refere-se à transitoriedade da vida e, no encadeamento do salmo, conduz à pergunta sobre a "futilidade" da criação — não uma negação da vida, mas reconhecimento de sua efemeridade. O salmista questiona o propósito da criação diante da certeza da morte, pergunta que atravessaria a filosofia ocidental e a relojoaria do século XVII.
Entre 1570 e 1650, no auge das guerras religiosas e epidemias na Europa, mestres relojoeiros criaram objetos que materializavam este questionamento: os relógios-caveira. Não eram curiosidades macabras, mas declarações filosóficas portáteis.
Estes relógios tinham caixas esculpidas em forma de crânios — alguns em prata, outros em marfim, os raros em ouro. O movimento era acessado pela mandíbula ou topo do crânio. Muitos apresentavam olhos esmaltados que pareciam seguir o observador, lembrando que a morte observa a todos.
Havia uma contradição proposital: eram símbolos de riqueza e humildade. Possuir um relógio no século XVII era privilégio de pouquíssimos — mestres como Isaac Penard, criador do movimento que ilustra o post, dominavam esta arte. Ao adquirir este símbolo em forma de caveira, o proprietário declarava compreender a futilidade de suas posses.
Como escreveu Petrarca: "E assim fugindo, o mundo gira / Nem repousa ou permanece / Até que tenha te feito nada além de pó." A ampulheta, companheira da Morte nas representações artísticas, aqui encontrava sua versão mecânica: o relógio que media o tempo até o fim.
Em 1776, Jean-Baptiste Pigalle colocou uma ampulheta nas mãos do esqueleto da Morte no monumento de d'Harcourt em Notre-Dame. Mas os relógios-caveira iam além: eram memento mori pessoais, usados próximo ao coração.
Estes relógios não celebravam a morte, mas convocavam à vida consciente. Cada tique-taque ecoava Eclesiastes: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade." Eram lembretes de que nenhum homem vive sem ver a morte.

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#10
Fórum principal / A gravidade e o tempo
09 Setembro 2025 às 20:13:24
Quando se diz que a gravidade "desacelera o tempo", não é uma metáfora: relógios em alturas diferentes realmente não marcam os segundos no mesmo ritmo. Einstein percebeu isso com uma ideia simples, que ficou conhecida como princípio da equivalência. Imagine alguém preso em um elevador fechado. Se essa pessoa sente o chão empurrando seus pés, não consegue dizer se está parado sobre a Terra, sentindo o peso da gravidade, ou se o elevador está no espaço, sendo puxado por um motor que o acelera para cima. As duas situações produzem os mesmos efeitos físicos.
Agora imagine uma lâmpada no piso do elevador emitindo um feixe de luz para um detector fixado no teto. Como o elevador está acelerando para cima, quando o feixe chega ao detector, o teto já se afastou da posição inicial. O resultado é que o sinal chega ligeiramente "atrasado", como se o relógio lá embaixo tivesse marcado menos tempo do que o de cima. Pela equivalência, o mesmo vale para a gravidade: perto de uma grande massa, o tempo passa mais devagar; quem está embaixo vê o relógio lá de cima correr mais rápido.
Esse efeito foi medido diretamente em 1959, na Universidade de Harvard, por Robert Pound e Glen Rebka. Eles enviaram radiação gama entre dois pontos separados por alguns andares e detectaram a minúscula variação prevista pela teoria. A mudança é tão pequena que só técnicas muito sofisticadas permitiram comprová-la, mas a confirmação foi decisiva: tempo e gravidade realmente estão ligados.
Nos satélites de GPS, a diferença acumulada é enorme: para cada metro de diferença de altitude, o relógio adianta cerca de 10 nanossegundos por dia. Como esses satélites estão a 20 mil quilômetros de altura, o adiantamento chega a dezenas de microssegundos por dia. Se não fosse corrigido, isso faria o sistema errar algo em torno de 10 quilômetros por dia na sua posição.



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#11
Fórum principal / Da clepsidra a torre de Su Sung
01 Setembro 2025 às 17:55:35
Texto do Guilherme, que criou um novo blog agora sobre relojoaria

https://pordentrodotempo.com.br/historia-do-tempo-parte-1-da-clepsidra-a-torre-de-su-sung/

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#13
Aí galera, o Sílvio Pereira, que escreve artigos históricos para o Instituto Português de Relojoaria lançou agora um calhamaço de 500 páginas sobre a era de ouro da relojoaria, com possibilidade de compra no Brasil! Saca só!

https://www.livrariaipedasletras.com/nao-ficcao/historia-politica-filosofia/historia-e-evolucao-da-relojoaria
#14
Fórum principal / A gramática do design da Seiko
23 Julho 2025 às 22:39:35
Texto novo no blog!

https://relogiosmecanicos.com.br/curiosidades/a-gramatica-do-design-da-seiko/

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#17
Fórum principal / O paradoxo do luxo
03 Junho 2025 às 18:07:40
Texto novo no blog!

https://relogiosmecanicos.com.br/curiosidades/o-paradoxo-do-luxo/

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#19
Confesso que tenho que arrumar tempo para ler, pois bem longo o artigo. Mas fica aqui o registro, sobretudo porque a pesquisa foi feita pelo português Carlos Torres.

https://watchesbysjx.com/2025/05/breguet-sympathique-clock-no-1.html
#23
Texto publicado no Instagram

Em 1895, o nome Omega apareceu pela primeira vez em um anúncio publicitário. Até então, a manufatura suíça era conhecida apenas como Louis Brandt. Na imagem, um velho barbudo com asas segurava um relógio da marca numa das mãos e, na outra, uma lança.

Anos depois, em 1911, foi a vez da Longines. Num pôster que mantenho exposto em casa, o mesmo personagem está agora sentado nas nuvens. Apoiada ao lado, uma ampulheta. Nos ombros, o esforço visível de sustentar um relógio de bolso Longines.

A figura voltaria a aparecer inúmeras vezes na publicidade relojoeira do século XX. Mas quem é esse velho alado, que carrega — e às vezes parece se curvar diante — dos instrumentos criados para medir o próprio tempo?

A resposta começa com Cronus, o titã grego que destronou o pai, Urano, e devorava os filhos para evitar ser destronado por eles. Séculos depois, outra figura surgiu: Chronus, o Tempo eterno, abstrato, impessoal. A semelhança entre os nomes levou à fusão simbólica: o titã devorador tornou-se o tempo que tudo consome.

No Renascimento, essa fusão ganhou forma: nasceu o "Pai Tempo" — velho, de barba longa, asas, ampulheta e foice. Uma figura que ora ceifa, ora observa. E, mais tarde, carrega.

Nos anúncios da Omega e da Longines, esse Pai Tempo reaparece. Mas a foice cede lugar à lança, e a ampulheta, ao relógio de bolso. O tempo, antes soberano, agora parece servir. Carrega o instrumento humano que ousa medi-lo com exatidão.

Não é mais ele quem marca as horas. É a relojoaria que reivindica esse poder. A técnica se impõe ao mito. E o tempo — cansado ou rendido — repousa sobre as nuvens.



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#29
Texto que escrevi há alguns anos para Instagram que compilei agora em formato blog


https://relogiosmecanicos.com.br/curiosidades/sincronia-e-ressonancia-na-historia-da-cronometria/


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#31
Fórum principal / Os relógios japoneses wadokei
11 Fevereiro 2025 às 14:24:21
No século XIX, potências ocidentais estavam em plena expansão comercial e colonial. Os Estados Unidos, por sua vez, buscavam novas rotas comerciais e precisavam de um ponto estratégico no Pacífico para reabastecer seus navios na rota para a China. Além disso, a indústria baleeira americana precisava de portos seguros para obter suprimentos. Em 8 de julho de 1853, Matthew Perry chegou à Baía de Edo (atual Tóquio) com uma frota de quatro navios a vapor, bem superiores em poderio militar a qualquer embarcação japonesa da época. Sua chegada gerou grande impacto, pois os japoneses nunca haviam visto embarcações tão grandes e tecnologicamente avançadas. Perry se recusou a negociar com autoridades locais e insistiu em falar diretamente com o xogum. Ele entregou uma carta do presidente dos EUA, Millard Fillmore, exigindo que o Japão abrisse seus portos ao comércio e permitisse que navios americanos reabastecessem com carvão e suprimentos. O governo japonês, surpreso e sem uma resposta imediata, pediu um ano para considerar a proposta. Perry aceitou e partiu, mas prometeu voltar com uma frota ainda maior. Em fevereiro de 1854, Perry voltou com dez navios, deixando claro que os EUA estavam dispostos a usar a força caso necessário. Sem opções, o xogunato Tokugawa assinou o Tratado de Kanagawa em 31 de março de 1854. Um dos principais termos era a abertura dos portos de Shimoda e Hakodate para navios americanos reabastecerem suprimentos. Em 1868, a humilhação de ceder à pressão estrangeira abalou a legitimidade do xogum, levando ao aumento da oposição, o que culminou com a sua queda na restauração do poder imperial sob o imperador Meiji, iniciando uma era de rápida modernização e ocidentalização. Uma das primeiras medidas do imperador foi a adoção do calendário gregoriano e do sistema horário ocidental. O sistema tradicional de medição do tempo no Japão, utilizado até 1873, era chamado de "Sistema das Horas Temporais" (wadokei), bem diferente do sistema ocidental porque a duração das horas variava ao longo do ano, ajustando-se ao nascer e ao pôr do sol. Neste sistema, o dia era dividido em 12 períodos, cada um correspondendo a uma "hora" (koku): havia 6 horas diurnas (do amanhecer ao pôr do sol) e 6 horas noturnas (do pôr do sol ao amanhecer). Como os dias são mais longos no verão e mais curtos no inverno, a duração de cada "hora" não era fixa: no verão, as horas diurnas eram mais longas e as noturnas mais curtas; no inverno, as horas noturnas eram mais longas e as diurnas mais curtas. Os relógios mecânicos japoneses, cuja tecnologia pouco havia evoluído desde sua introdução no país no século XVI por missionários jesuítas, utilizavam escapamentos de vareta e cone e precisavam ser ajustados manualmente a cada mudança de estação (24, no calendário lunisolar que utilizavam). Alguns modelos mais sofisticados possuíam dois escapamentos, que se alternavam automaticamente entre o dia e a noite, adaptando a duração irregular das "horas" entre os dois períodos. Em 1873, o Japão adotou o sistema ocidental de 24 horas fixas, como parte da modernização da Era Meiji. Isso facilitou a sincronização com o comércio internacional e o funcionamento das ferrovias, telégrafos e fábricas, lançando também as bases para a indústria nacional de relógios, como a Seikosha, fundada em 1892. Masahiro Kikuno criou um wadokei de pulso moderno, adaptando o tradicional sistema japonês de horas variáveis para um relógio mecânico portátil. Em 2011, pela primeira vez na história, o relojoeiro independente japonês Masahiro Kikuno criou um relógio de pulso que se ajusta automaticamente para refletir o sistema tradicional japonês de horas temporais (wadokei), com indicação do tempo na qual a divisão entre as 6 horas do dia e as 6 da noite muda conforme as estações do ano.


#32
Fórum principal / O mercado indiano de relógios
05 Fevereiro 2025 às 16:47:01
A Deloitte publicou, além do estudo sobre mercado secundário, um específico sobre a Índia. A consultoria já havia indicado o país como a grande promessa do luxo, algo contestado pela Luxe Consult (Morgan Stanley) por alguns motivos.

Em primeiro lugar, há a tributação elevada. Impostos de importação chegam a 40%, encarecendo produtos de luxo. Além disso, as Diretrizes de Investimento Direto Estrangeiro impõem restrições à participação de empresas estrangeiras, forçando joint ventures. Outro fator apontado é o hábito de consumo: indianos de alta renda preferem comprar no exterior para evitar impostos.

No entanto, mudanças recentes podem validar a previsão da Deloitte. Segundo o estudo:

Os tributos, antes de 40% (um dos mais altos do mundo, atrás apenas do Brasil, com 78%), serão zerados em 7 anos, restando apenas o imposto local de 18%.
O PIB da Índia deve crescer 6% em 2025, o dobro da média global, tornando-se a terceira maior economia mundial em 2030.
78% dos entrevistados planejam comprar um relógio no próximo ano, impulsionados pela forte cultura de presentes de casamento.
A reputação da marca é fator decisivo para 64% dos consumidores, beneficiando marcas já consolidadas.
70% das compras de luxo são feitas online, o dobro da média global, devido à falta de lojas físicas adequadas.
Marcas de luxo têm adaptado produtos aos gostos locais e firmado parcerias com astros de Bollywood.
Como destacou Pascal O. Ravessaoud, VP da Fondation Haute Horlogerie: "A oportunidade para as marcas investirem na Índia é agora, ou correm o risco de perder um mercado lucrativo devido às condições comerciais favoráveis, ao crescimento do PIB e ao crescente interesse dos consumidores."

O luxo finalmente encontrou seu caminho na Índia?




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#33
Resumo do estudo que li agora

A Deloitte Consultoria divulgou um estudo sobre o mercado secundário de relógios de luxo, com base em 6.000 entrevistas realizadas entre agosto de 2020 e setembro de 2024. Para quem acompanha o setor, os resultados não surpreendem, mas algumas tendências merecem destaque:
 Após a explosão de transações na pandemia e a queda nos últimos dois anos, o mercado caminha para a estabilização em patamares superiores aos de 2020.

A influência das celebridades – tanto ao usarem determinados modelos quanto ao investirem em plataformas de venda – vem redefinindo a forma como os relógios de luxo são encarados na era digital.

 A certificação oficial tem tornado as transações mais seguras, aumentando a liquidez e o comércio online. Apesar do ceticismo inicial, a entrada da Rolex no mercado CPO (Certified Pre-Owned) consolidou essa tendência. Como destacou um gestor: "O apetite por relógios de segunda mão está crescendo, com marcas como a Rolex aderindo a esse mercado por meio de programas CPO. Isso adicionou credibilidade ao setor e impulsionou nosso volume."

 O interesse por relógios "neo-vintage" cresceu: nos leilões, seu valor subiu 123%, enquanto modelos modernos caíram.

 A paciência com as "listas de espera" está diminuindo: 57% dos consumidores afirmam que escolheriam outro modelo caso precisassem enfrentar filas no mercado primário.

 O fator mais importante para a maioria, inclusive a Geração Z, é o custo-benefício de um relógio usado – superando design, imagem da marca e sustentabilidade.

 Para a Geração Z, a conveniência é essencial: apenas 34% faz questão do contato presencial com vendedores. Isso impulsiona novas plataformas digitais que garantam autenticidade e segurança. O futuro pode estar na fusão dos dois mundos: uma oferta online estruturada e detalhada, combinada a showrooms físicos com assessoria especializada.

 Apesar da clara influência do mercado secundário no primário, 39% dos gestores dizem não monitorá-lo em suas decisões estratégicas – enquanto 36% afirmam que sim.



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#35
Os astrônomos primitivos definiram o ano solar como "o maior espaço de tempo que o Sol necessita para seu aparente giro entre as estrelas fixas". Até 45 a.C., os romanos usavam um calendário de 355 dias, dividido em 12 meses, com um mês extra de 22 ou 23 dias inserido ocasionalmente para alinhá-lo à órbita do Sol. Essa prática favorecia abusos de poder: os pontífices romanos adicionavam o mês apenas quando seus aliados estavam no governo.

Júlio César reformou o calendário, alinhando-o ao ano solar e eliminando a necessidade de ajustes humanos. O novo calendário tinha 365 dias divididos em 12 meses, com um dia extra a cada quatro anos. Contudo, o ano solar mede, na verdade, 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46,7 segundos. No final da Idade Média, essa diferença acumulou um atraso de 10 dias. Em 1582, o Papa Gregório XIII ajustou o calendário, eliminando os 10 dias excedentes e mudando a regra dos anos bissextos.

O primeiro relógio a incorporar um calendário automático, que respeitava essas mudanças, surgiu em 1764, criado por Thomas Mudge. Já o primeiro relógio de pulso feito em série com este tipo de calendário (perpétuo) só apareceu em 1941, lançado pela Patek Philippe. Em 1991, após superar a "Crise do Quartzo", a Patek consolidou-se como fabricante dos relógios mais complexos do mundo, mas carecia de um modelo intermediário entre o Calatrava, de 9 mil dólares, e seu calendário perpétuo, de 40 mil dólares.

Buscando inovação, a marca desafiou estudantes de Engenharia da Universidade de Genebra a criar uma complicação útil. Cédric Fague propôs o calendário anual, ajustado apenas em fevereiro, algo inédito na relojoaria. Fugindo às amarras do tradicionalismo, ele concebeu um mecanismo robusto e simplificado, utilizando engrenagens em vez das alavancas usuais, quebrando paradigmas na construção de calendários.

Lançado na Feira da Basiléia de 1996 por 17.500 dólares, o ref. 5035 foi o primeiro relógio com calendário anual. O modelo não apenas marcou a entrada da Patek Philippe no novo milênio, como também se tornou um dos mais importantes da história da marca, consolidando sua relevância no mundo da relojoaria.



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#39
Fórum principal / Fui entrevistado no canal 7x7
14 Outubro 2024 às 09:43:05
#40
O texto não é novo, pois o publiquei em sete partes inicialmente no Instagram. Mas achei que era melhor disponibiliza lo de forma integral e com uma redação ligeiramente diferente no blog. Link abaixo

https://relogiosmecanicos.com.br/curiosidades/a-odisseia-do-cronometro-maritimo-k2/




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#42
Fórum principal / A história da Richard Mille
28 Agosto 2024 às 13:23:15
Em 1999, o designer francês Richard Mille enfrentava um dilema. No comando criativo da divisão de relógios da joalheria Maubossin, sentia-se limitado pela filosofia da marca. Ele nunca havia criado um relógio que realmente queria produzir. Então, decidiu fundar sua própria empresa. Mille contatou Giulio Papi, responsável por movimentos complicados na Audemars Piguet, e perguntou se poderia transformar em realidade um desenho de mecanismo que idealizara. Papi, ao analisar o projeto, disse que sim.

Mille também conversou com Dominique Guenat, proprietário da Montres Valgine, que fabricara os Panerai da era "pré Vendome", sobre a viabilidade do projeto. Guenat não apenas confirmou a possibilidade, mas também investiu para tornar a visão de Mille uma realidade. Após dois anos, Richard Mille lançou seu primeiro relógio, o RM 001. Esse modelo, fabricado em apenas 17 unidades, era uma linha de protótipos para comprovar a viabilidade técnica das ideias de Mille. Alguns tinham caixa em platina, outros em ouro rosé, com movimentos em alpaca ou titânio. Esses relógios não foram feitos para venda direta, mas destinados a amigos e antigos clientes de Mille na Maubossin.

A versão comercial, RM 002, diferente de tudo que já havia sido criado na relojoaria, foi aclamada pela crítica. Restava a Mille vender o produto. Segundo a teoria do consumo conspícuo de Veblen, as pessoas compram bens de luxo não só pela utilidade, mas para exibir status e riqueza. Mille fixou o preço inicial em 135 mil dólares. Quando questionado sobre o valor, que superava o de um Patek, "a Rolls-Royce" da relojoaria, Mille respondeu: "não estamos competindo com a Patek ou nenhuma outra marca!". Richard Mille não só criou um produto revolucionário, mas também transformou uma indústria, antecipando como os ultra ricos gastariam seu dinheiro.



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#43
Estão aqui!

https://www.gphg.org/en/gphg-2024/nominated-timepieces

Sem pensar demais, os relógios que me chamaram atenção foram:

- Hajime Asaaoka
- Gosto do Berneron, creiam
- UR 102, apesar de ser uma reedição
- Remy Cools
- Otsuka Lotec


Na minha sincera opinião, o melhor custo benefício da lista toda é o Furlan Marri Perpetual, porque apresenta um mecanismo totalmente novo, num pacote bonito e por um preço acessível.


Flávio
#44
Galeria Lafayette inaugura brechó de joias e relógios em Paris https://exame.com/casual/galeria-lafayette-inaugura-brecho-de-joias-e-relogios-em-paris/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=barra-compartilhamento via Exame

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#45
Fórum principal / O relógio do juízo final
08 Agosto 2024 às 15:40:03
No dia 06 de agosto de 1945, militares japoneses na cidade de Hiroshima detectaram a aproximação de 3 aviões, mas decidiram não enviar nenhum caça para averiguar: não imaginaram que uma esquadrilha tão pequena pudesse oferecer alguma ameaça. Pouco tempo depois, um bombardeiro Boeing B29 denominado "Enola Gay", capitaneado pelo coronel Paul Tibbets, lançou uma única bomba, contendo em seu interior 65 quilos de urânio 235. Às 8h15 da manhã, horário local, o artefato foi detonado e iniciou uma reação nuclear em cadeia que liberou energia equivalente a 15 mil toneladas de TNT, destruindo tudo que estava num raio de 1.6km do epicentro. Autoridades japonesas calcularam que 255 mil pessoas viviam em Hiroshima naquele momento e que 70 mil tenham sido mortas instantaneamente após a explosão. Logo após a detonação de uma 2a bomba sobre a cidade de Nagasaki, alguns cientistas que participaram do Projeto Manhattan, surpresos com os efeitos devastadores das explosões, resolveram lançar a publicação "Boletim dos Cientistas Atômicos", com o intuito de esclarecer e alertar a sociedade a respeito da energia nuclear. Einstein e Oppenheimer se juntaram ao grupo alguns anos depois. Em 1947, o editor da revista convidou a artista Martyl Langsdor, cujo marido trabalhara no Projeto Manhattan, para desenhar a capa de uma edição. Langsdor, então, desenhou um relógio que simbolizava o quão próximo a humanidade estava da "meia-noite", ou seja, da autodestruição, buscando alertar as autoridades sobre como suas ações estavam levando o mundo para um ponto de não retorno. O relógio foi inicialmente ajustado para 7 minutos para a meia-noite. Após a explosão do 1o dispositivo atômico soviético, o governo americano deu o sinal verde para o projeto do físico Edward Teller, no qual uma bomba atômica de fissão nuclear poderia ser usada como catalisadora de uma reação de fusão em cadeia. Em 1o de novembro de 1952, utilizando estes conceitos, uma bomba de hidrogênio foi testada no atol de Eniwetok, liberando quantidade de energia equivalente a 10 milhões de toneladas de TNT, 700 vezes mais do que a bomba de Hiroshima. O "Relógio do Juízo Final", então, foi reajustado para 2 minutos para meia-noite....



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#46
Fórum principal / Atualização do FRM
06 Agosto 2024 às 08:48:56
Galera, o blog e o FRM foram invadidos neste final de semana por vírus e, então, o Bruno Recchia se dipôs a corrigir tudo. Aproveitando o ensejo, pedi-lhe que atualizasse o engine do FRM, que pode ter sido a causa dos ataques. Ainda não sei se tem alguma vantagem prática este novo engine, mas no celular fica melhor, pelo que percebi.
Vamos testando.
Flávio
#47
Fórum principal / Jack Heuer e o cinema parte 2
19 Julho 2024 às 15:17:10
Alguns meses antes do lançamento dos primeiros cronógrafos automáticos Heuer, que viriam a ser equipados com o lendário calibre 11, a marca concluiu que não possuía recursos suficientes para marketing. Enquanto praticava golfe, Jack Heuer comentou o fato com Claude Blancpain, diretor da cervejaria Cardinal, de Friburgo, que perguntou: "por que não patrocina o piloto Jo Siffert, meu conterrâneo? Ele é uma das grandes promessas da Fórmula 1!" Alguns dias depois, Jack Heuer se encontrou com Siffert e firmaram uma parceria: a partir daquele momento, o piloto utilizaria um cronógrafo Heuer em todas as corridas e o emblema da marca seria colocado em seu macacão e carros. Na mesma época, a fabricante de caixas Piquerez mostrou a Jack Heuer um novo modelo, o primeiro à prova d´água em formato quadrado, e um contrato de fornecimento exclusivo foi firmado. O modelo, batizado Mônaco, entraria para os anais da história em circunstâncias inusitadas. Em 1970, Don Nunley ligou para Jack Heuer e disse que havia sido escolhido como Diretor de Produção do filme Le Mans, estrelando Steve McQueen no papel principal. Nunley explicou que precisava de todo tipo de equipamento para marcação do tempo para produção do filme e que estes deveriam ser entregues o mais rápido possível em Le Mans, antes do início das filmagens. Jack Heuer, ciente que não conseguiria exportar os relógios de forma legal para a França, instruiu o motorista da empresa, Gerd Lang (que depois se tornaria um dos maiores especialistas em cronógrafos e fundador da marca Chronoswiss) a contrabandear tudo, o que foi feito em uma viagem de carro. Coincidentemente, Jo Siffert havia sido contratado para ensinar McQueen a pilotar o Porsche 917 usado no filme. No início das filmagens, o Diretor perguntou a McQueen qual figurino seu personagem deveria usar. McQueen, sem pestanejar, afirmou: "quero ficar parecido com ele (Siffert)"! O Diretor, ainda, ofereceu-lhe um Omega para compor o personagem, mas McQueen recusou, temendo que sua imagem pudesse ser usada pela marca. Como nunca havia ouvido falar na Heuer, escolheu o Mônaco. Após, o ator nunca mais usou o relógio, descontente com o uso indevido de sua imagem pela Heuer...

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#48
Fórum principal / Jack Heuer e o cinema
15 Julho 2024 às 15:13:13
Em 1958, enquanto analisava estatísticas comerciais, Jack Heuer percebeu que a venda de cronógrafos havia aumentado cerca de 20% em todos os mercados nos quais a Heuer estava presente, salvo nos Estados Unidos, que apresentara apenas 3% de incremento. Louis Eisenstein & Bros, representantes Heuer nos Estados Unidos, certamente não estavam fazendo um bom trabalho... Então, Jack Heuer e seu tio viajaram até Nova Iorque e comunicaram ao seu representante oficial que assumiriam a venda direta dos seus produtos naquele mercado a partir de 1959. Anos depois, Jack Heuer resolveu realizar uma pesquisa de mercado para descobrir como seus concorrentes atuavam nos Estados Unidos. Contatou inicialmente, então, o representante Rolex e solicitou-lhe uma reunião. Quando chegou ao escritório Rolex, situado na 5ª Avenida, percebeu várias fotos autografadas de astros de Hollywood penduradas na parede, com dedicatórias ao presidente da marca. Sem rodeios, perguntou ao Diretor de Operações Rolex como ele conseguira que tantos astros usassem relógios da marca. Para sua surpresa, o Diretor lhe contou o segredo: bastava "compensar financeiramente" algum Chefe de Produção de estúdio que seus relógios seriam escolhidos para compor o figurino dos personagens. Assim, Jack Heuer telefonou para Barney Feldmar, um cliente que adquiria cronógrafos Heuer para Diretores de cinema calcularem a duração das cenas, e pediu-lhe um contato de um Chefe de Produção que trabalhasse em filmes com temática esportiva. Um certo Don Nunley lhe foi apresentado e, entabulada a "comissão" que ele receberia, pouco tempo depois aconteceria a mais icônica vinculação de um cronógrafo Heuer a um personagem de filme.



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#49
Para quem se lembra, a NY retratada nos anos 70 e 80 era um caos completo, parodiada até em filmes como Desejo de Matar 3. O movimento da Lei e Ordem pegou por lá, a cidade ficou bem menos violenta e, agora, uma série de assaltos a mão armada de relógios, nos quais os ladrões entram nos restaurantes finos e promovem arrastão, está ocorrendo. Foram vários já, coisas que normalmente só ouvíamos falar acontecendo nos Jardins em Sampa. Vejam

https://robbreport.com/food-drink/dining/restaurant-thefts-nyc-rolex-patek-philippe-1235698756/
#50
Olha que contraponto de mercado interessante. Entrevistado um grande player no Japão, este diz que a maioria das marcas japonesas, que tem valor na faixa de 300 dólares, tem se movido para o "upmarket" em virtude da concorrência com smartwatches. Por exemplo, a Casio tem sofrido com tal concorrência. No Japão, portanto, a regra tem sido: vá para um nicho superior de mercado.

Por outro lado, o CEO da Tissot foi entrevistado e... Ele disse que como a Tissot atua em todo tipo de mercado, a concorrência com os Smart não é um problema e ele, na verdade, não pretende subir preços, mas aumentar produção, com um objetivo de chegar a 5 milhões de relógios vendidos! Ps. Segundo ele, aliás, contrariando o que nós achamos, o maior volume de venda da marca não é a linha PRX, mas Le Locle e, na Suíça, acreditem se quiser, a Touch.

Os dois artigos estão aqui:

https://www.europastar.com/the-watch-files/swatch-group/1004114474-i-ve-set-tissot-a-target-of-5-million-watches-a.html


https://www.europastar.com/the-watch-files/watchmaking-in-japan/1004114441-japanese-brands-have-all-come-to-the-same.html