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Tópicos - flávio

#53
Fórum principal / Fui entrevistado no canal 7x7
14 Outubro 2024 às 09:43:05
#54
O texto não é novo, pois o publiquei em sete partes inicialmente no Instagram. Mas achei que era melhor disponibiliza lo de forma integral e com uma redação ligeiramente diferente no blog. Link abaixo

https://relogiosmecanicos.com.br/curiosidades/a-odisseia-do-cronometro-maritimo-k2/




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#56
Fórum principal / A história da Richard Mille
28 Agosto 2024 às 13:23:15
Em 1999, o designer francês Richard Mille enfrentava um dilema. No comando criativo da divisão de relógios da joalheria Maubossin, sentia-se limitado pela filosofia da marca. Ele nunca havia criado um relógio que realmente queria produzir. Então, decidiu fundar sua própria empresa. Mille contatou Giulio Papi, responsável por movimentos complicados na Audemars Piguet, e perguntou se poderia transformar em realidade um desenho de mecanismo que idealizara. Papi, ao analisar o projeto, disse que sim.

Mille também conversou com Dominique Guenat, proprietário da Montres Valgine, que fabricara os Panerai da era "pré Vendome", sobre a viabilidade do projeto. Guenat não apenas confirmou a possibilidade, mas também investiu para tornar a visão de Mille uma realidade. Após dois anos, Richard Mille lançou seu primeiro relógio, o RM 001. Esse modelo, fabricado em apenas 17 unidades, era uma linha de protótipos para comprovar a viabilidade técnica das ideias de Mille. Alguns tinham caixa em platina, outros em ouro rosé, com movimentos em alpaca ou titânio. Esses relógios não foram feitos para venda direta, mas destinados a amigos e antigos clientes de Mille na Maubossin.

A versão comercial, RM 002, diferente de tudo que já havia sido criado na relojoaria, foi aclamada pela crítica. Restava a Mille vender o produto. Segundo a teoria do consumo conspícuo de Veblen, as pessoas compram bens de luxo não só pela utilidade, mas para exibir status e riqueza. Mille fixou o preço inicial em 135 mil dólares. Quando questionado sobre o valor, que superava o de um Patek, "a Rolls-Royce" da relojoaria, Mille respondeu: "não estamos competindo com a Patek ou nenhuma outra marca!". Richard Mille não só criou um produto revolucionário, mas também transformou uma indústria, antecipando como os ultra ricos gastariam seu dinheiro.



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#57
Estão aqui!

https://www.gphg.org/en/gphg-2024/nominated-timepieces

Sem pensar demais, os relógios que me chamaram atenção foram:

- Hajime Asaaoka
- Gosto do Berneron, creiam
- UR 102, apesar de ser uma reedição
- Remy Cools
- Otsuka Lotec


Na minha sincera opinião, o melhor custo benefício da lista toda é o Furlan Marri Perpetual, porque apresenta um mecanismo totalmente novo, num pacote bonito e por um preço acessível.


Flávio
#58
Galeria Lafayette inaugura brechó de joias e relógios em Paris https://exame.com/casual/galeria-lafayette-inaugura-brecho-de-joias-e-relogios-em-paris/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=barra-compartilhamento via Exame

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#59
Fórum principal / O relógio do juízo final
08 Agosto 2024 às 15:40:03
No dia 06 de agosto de 1945, militares japoneses na cidade de Hiroshima detectaram a aproximação de 3 aviões, mas decidiram não enviar nenhum caça para averiguar: não imaginaram que uma esquadrilha tão pequena pudesse oferecer alguma ameaça. Pouco tempo depois, um bombardeiro Boeing B29 denominado "Enola Gay", capitaneado pelo coronel Paul Tibbets, lançou uma única bomba, contendo em seu interior 65 quilos de urânio 235. Às 8h15 da manhã, horário local, o artefato foi detonado e iniciou uma reação nuclear em cadeia que liberou energia equivalente a 15 mil toneladas de TNT, destruindo tudo que estava num raio de 1.6km do epicentro. Autoridades japonesas calcularam que 255 mil pessoas viviam em Hiroshima naquele momento e que 70 mil tenham sido mortas instantaneamente após a explosão. Logo após a detonação de uma 2a bomba sobre a cidade de Nagasaki, alguns cientistas que participaram do Projeto Manhattan, surpresos com os efeitos devastadores das explosões, resolveram lançar a publicação "Boletim dos Cientistas Atômicos", com o intuito de esclarecer e alertar a sociedade a respeito da energia nuclear. Einstein e Oppenheimer se juntaram ao grupo alguns anos depois. Em 1947, o editor da revista convidou a artista Martyl Langsdor, cujo marido trabalhara no Projeto Manhattan, para desenhar a capa de uma edição. Langsdor, então, desenhou um relógio que simbolizava o quão próximo a humanidade estava da "meia-noite", ou seja, da autodestruição, buscando alertar as autoridades sobre como suas ações estavam levando o mundo para um ponto de não retorno. O relógio foi inicialmente ajustado para 7 minutos para a meia-noite. Após a explosão do 1o dispositivo atômico soviético, o governo americano deu o sinal verde para o projeto do físico Edward Teller, no qual uma bomba atômica de fissão nuclear poderia ser usada como catalisadora de uma reação de fusão em cadeia. Em 1o de novembro de 1952, utilizando estes conceitos, uma bomba de hidrogênio foi testada no atol de Eniwetok, liberando quantidade de energia equivalente a 10 milhões de toneladas de TNT, 700 vezes mais do que a bomba de Hiroshima. O "Relógio do Juízo Final", então, foi reajustado para 2 minutos para meia-noite....



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#60
Fórum principal / Atualização do FRM
06 Agosto 2024 às 08:48:56
Galera, o blog e o FRM foram invadidos neste final de semana por vírus e, então, o Bruno Recchia se dipôs a corrigir tudo. Aproveitando o ensejo, pedi-lhe que atualizasse o engine do FRM, que pode ter sido a causa dos ataques. Ainda não sei se tem alguma vantagem prática este novo engine, mas no celular fica melhor, pelo que percebi.
Vamos testando.
Flávio
#61
Fórum principal / Jack Heuer e o cinema parte 2
19 Julho 2024 às 15:17:10
Alguns meses antes do lançamento dos primeiros cronógrafos automáticos Heuer, que viriam a ser equipados com o lendário calibre 11, a marca concluiu que não possuía recursos suficientes para marketing. Enquanto praticava golfe, Jack Heuer comentou o fato com Claude Blancpain, diretor da cervejaria Cardinal, de Friburgo, que perguntou: "por que não patrocina o piloto Jo Siffert, meu conterrâneo? Ele é uma das grandes promessas da Fórmula 1!" Alguns dias depois, Jack Heuer se encontrou com Siffert e firmaram uma parceria: a partir daquele momento, o piloto utilizaria um cronógrafo Heuer em todas as corridas e o emblema da marca seria colocado em seu macacão e carros. Na mesma época, a fabricante de caixas Piquerez mostrou a Jack Heuer um novo modelo, o primeiro à prova d´água em formato quadrado, e um contrato de fornecimento exclusivo foi firmado. O modelo, batizado Mônaco, entraria para os anais da história em circunstâncias inusitadas. Em 1970, Don Nunley ligou para Jack Heuer e disse que havia sido escolhido como Diretor de Produção do filme Le Mans, estrelando Steve McQueen no papel principal. Nunley explicou que precisava de todo tipo de equipamento para marcação do tempo para produção do filme e que estes deveriam ser entregues o mais rápido possível em Le Mans, antes do início das filmagens. Jack Heuer, ciente que não conseguiria exportar os relógios de forma legal para a França, instruiu o motorista da empresa, Gerd Lang (que depois se tornaria um dos maiores especialistas em cronógrafos e fundador da marca Chronoswiss) a contrabandear tudo, o que foi feito em uma viagem de carro. Coincidentemente, Jo Siffert havia sido contratado para ensinar McQueen a pilotar o Porsche 917 usado no filme. No início das filmagens, o Diretor perguntou a McQueen qual figurino seu personagem deveria usar. McQueen, sem pestanejar, afirmou: "quero ficar parecido com ele (Siffert)"! O Diretor, ainda, ofereceu-lhe um Omega para compor o personagem, mas McQueen recusou, temendo que sua imagem pudesse ser usada pela marca. Como nunca havia ouvido falar na Heuer, escolheu o Mônaco. Após, o ator nunca mais usou o relógio, descontente com o uso indevido de sua imagem pela Heuer...

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#62
Fórum principal / Jack Heuer e o cinema
15 Julho 2024 às 15:13:13
Em 1958, enquanto analisava estatísticas comerciais, Jack Heuer percebeu que a venda de cronógrafos havia aumentado cerca de 20% em todos os mercados nos quais a Heuer estava presente, salvo nos Estados Unidos, que apresentara apenas 3% de incremento. Louis Eisenstein & Bros, representantes Heuer nos Estados Unidos, certamente não estavam fazendo um bom trabalho... Então, Jack Heuer e seu tio viajaram até Nova Iorque e comunicaram ao seu representante oficial que assumiriam a venda direta dos seus produtos naquele mercado a partir de 1959. Anos depois, Jack Heuer resolveu realizar uma pesquisa de mercado para descobrir como seus concorrentes atuavam nos Estados Unidos. Contatou inicialmente, então, o representante Rolex e solicitou-lhe uma reunião. Quando chegou ao escritório Rolex, situado na 5ª Avenida, percebeu várias fotos autografadas de astros de Hollywood penduradas na parede, com dedicatórias ao presidente da marca. Sem rodeios, perguntou ao Diretor de Operações Rolex como ele conseguira que tantos astros usassem relógios da marca. Para sua surpresa, o Diretor lhe contou o segredo: bastava "compensar financeiramente" algum Chefe de Produção de estúdio que seus relógios seriam escolhidos para compor o figurino dos personagens. Assim, Jack Heuer telefonou para Barney Feldmar, um cliente que adquiria cronógrafos Heuer para Diretores de cinema calcularem a duração das cenas, e pediu-lhe um contato de um Chefe de Produção que trabalhasse em filmes com temática esportiva. Um certo Don Nunley lhe foi apresentado e, entabulada a "comissão" que ele receberia, pouco tempo depois aconteceria a mais icônica vinculação de um cronógrafo Heuer a um personagem de filme.



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#63
Para quem se lembra, a NY retratada nos anos 70 e 80 era um caos completo, parodiada até em filmes como Desejo de Matar 3. O movimento da Lei e Ordem pegou por lá, a cidade ficou bem menos violenta e, agora, uma série de assaltos a mão armada de relógios, nos quais os ladrões entram nos restaurantes finos e promovem arrastão, está ocorrendo. Foram vários já, coisas que normalmente só ouvíamos falar acontecendo nos Jardins em Sampa. Vejam

https://robbreport.com/food-drink/dining/restaurant-thefts-nyc-rolex-patek-philippe-1235698756/
#64
Olha que contraponto de mercado interessante. Entrevistado um grande player no Japão, este diz que a maioria das marcas japonesas, que tem valor na faixa de 300 dólares, tem se movido para o "upmarket" em virtude da concorrência com smartwatches. Por exemplo, a Casio tem sofrido com tal concorrência. No Japão, portanto, a regra tem sido: vá para um nicho superior de mercado.

Por outro lado, o CEO da Tissot foi entrevistado e... Ele disse que como a Tissot atua em todo tipo de mercado, a concorrência com os Smart não é um problema e ele, na verdade, não pretende subir preços, mas aumentar produção, com um objetivo de chegar a 5 milhões de relógios vendidos! Ps. Segundo ele, aliás, contrariando o que nós achamos, o maior volume de venda da marca não é a linha PRX, mas Le Locle e, na Suíça, acreditem se quiser, a Touch.

Os dois artigos estão aqui:

https://www.europastar.com/the-watch-files/swatch-group/1004114474-i-ve-set-tissot-a-target-of-5-million-watches-a.html


https://www.europastar.com/the-watch-files/watchmaking-in-japan/1004114441-japanese-brands-have-all-come-to-the-same.html
#65
Durante os primeiros 30 anos do reinado de Elizabeth I, o Conde de Leicester, Robert Dudley, transformou-se da figura política mais importante da Inglaterra. Como amante de Elizabeth, seus aposentos ficavam ao lado dos ocupados pela Rainha e, nas cerimônias oficiais, ambos comportavam-se como consortes "não oficiais". Era um costume da época oferecer presentes à Rainha nas festas de ano novo e, na passagem de 1571 para 1572, o Conde lhe deu um "bracelete ricamente cravejado de pedras preciosas, tendo em seu fecho um relógio". Esta é a primeira referência histórica a um relógio de pulso, muito embora o modelo fabricado não tenha sobrevivido ao tempo. Nos séculos posteriores, as mulheres da aristocracia continuaram a usar relógios de pulso. Em 1809, quando Eugênio de Beauharnais casou-se com Amélia de Leuchtenberg, a Imperatriz Josefina a presenteou com dois relógios de pulso fabricados pela Nitot, de Paris. Em 1812, por sua vez, Breguet também fabricou um relógio de pulso para a Rainha de Nápoles. No final do século XIX, o uso de relógios de pulso difundiu-se inclusive entre a classe média, como indicado em um artigo de 1887 da "Horological Journal", revista oficial do Instituto Britânico de Relojoaria, que ainda é publicada: "já faz algum tempo que está na moda as mulheres usarem, quando cavalgam ou caçam, relógios em pulseiras de couro presas ao pulso, dispostas de tal maneira que, com o mostrador exposto, o usuário possa ver imediatamente a hora sem retirá-lo (do bolso). Pulseiras com finalidade semelhante também são feitas em ouro e transformam o relógio em um objeto bonito e, ao mesmo tempo, útil". Os homens da época, porém, não estavam dispostos a aderir à moda: na era vitoriana, a sociedade esperava que os cavalheiros se apresentassem com ternos e relógios de bolso. Relógios de pulso eram vistos como afeminados e essa barreira social só seria superada pelos homens alguns anos mais tarde...



#67
Alguma boa alma pode me explicar isto?

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#68
Em 1981, a equipe de Hayek iniciou a auditoria dos grupos suíços de relojoaria SSIH e ASUAG e, apesar de não possuir nenhuma experiência no ramo, concluiu pela existência de uma estrutura completamente arcaica de gestão. A primeira providência sugerida em relação ao ASUAG foi a demissão de todo Conselho e sua substituição por representantes dos bancos e especialistas, como Ernst Thomke, diretor da ETA e, inclusive, o próprio Hayek. Em 1982, em uma reunião no hotel Victoria Jungfrau em Interlaken, o destino dois dois grupos foi traçado: ambos seriam fundidos e isso teria que acontecer rápido, pois um pedido de falência do ASUAG já havia sido protocolado. Para criação da nova companhia, denominada SMH, os bancos credores, que eram seus maiores acionistas, despenderam a quantia de cerca de 1 bilhão de francos. Os bancos, é certo, não pretendiam permanecer como acionistas por muito tempo se o plano de Hayek desse certo, e apostaram que poderiam receber dividendos e, depois, vender suas participações com algum lucro. Por este motivo, aliás, resolveram não aceitar a proposta da Seiko para compra da Omega, por cerca de 400 milhões de francos. Se isso ocorresse, segundo Hayek, a "cabeça" da nova companhia seria cortada. Em 1984, um ano após a fusão, a nova empresa apresentou pequeno lucro.... Na época, em um almoço com Peter Gross, Hayek, que já era um homem rico com um patrimônio de cerca de 200 milhões de francos, comentou que pretendia investir parte do seu dinheiro em empresas de alta tecnologia. Gross, então, disse-lhe: "ora, não seja idiota, a oportunidade está na sua frente! Por que não investe na companhia de relógios que ajudou a criar?" Ao apresentar sua proposta aos bancos, que queriam se ver livres do "abacaxi", esta foi aceita: Hayek adquiriu, com seu próprio dinheiro, 7% do capital. Temendo o aumento do preço das ações, Hayek resolveu se comprometer ainda mais e, ao formar um consórcio de investidores, conseguiu abocanhar o controle da empresa, com 51% do capital social. No final das contas, o grupo de investidores havia se tornado "dono" da maior empresa de relojoaria suiça, pagando apenas 150 milhões de francos.
#69
Na década de 1970, a situação da indústria suíça de relógios era desesperadora. Os dois maiores grupos relojoeiros, SSIH (Omega-Tissot) e ASUAG (Ebauches/SA, Longines, Rado, Certina e Mido), que sozinhos detinham 30% do mercado suíço, perdiam cada vez mais espaço para a concorrência oriental. Em vez de alterarem seus métodos de produção e marketing, tais grupos, acostumados com o apoio estatal que existira na indústria relojoeira desde os anos de 1930, resolveram partir para uma rede de corrupção e lobby. Incentivos fiscais foram aprovados e relatórios contábeis sobre as empresas, que indicavam que o pior ainda estava por vir, acabaram ocultados do público. Em 1980 a situação se mostrava insustentável: SSIH devia 160 milhões de francos a bancos suíços, enquanto o ASUAG cerca de 200 milhões. Os bancos credores, então, exerceram pressão sobre os acionistas, parte deles parentes dos fundadores, para uma reorganização. O medo dos credores era que a Omega falisse e, como na época era a marca de relógios mais conhecida do planeta, gerasse uma reação em cadeia que afundasse de vez toda indústria suíça. Em reuniões turbulentas nas quais vários xingamentos foram proferidos, os principais bancos convenceram credores a abrirem mão de milhões de francos em créditos, ao mesmo tempo em que reduziam o valor nominal da cota dos sócios. Após a emissão de novas ações, os bancos se tornaram efetivamente os acionistas majoritários. No ASUAG, seus 13500 funcionários ingressaram num programa de redução de jornada de trabalho. A situação das empresas não melhorou e, em 1981, os credores estavam perdendo a paciência. Peter Gross, diretor do Union Bank, porém, sugeriu aos demais que uma decisão açodada seria ruim para todos e necessitava de uma análise imparcial de uma consultoria externa. Numa terça-feira, em março de 1981, Peter Gross telefonou para Nicolas Hayek, sócio-proprietário da Hayek Engineering, empresa de consultoria de Zurique especializada na reestruturação de metalúrgicas da Alemanha, e pediu-lhe apoio. No mesmo dia, em um restaurante de Biel, Hayek e Gross esboçaram as principais cláusulas do contrato de consultoria no verso do menu. A sorte estava lançada....
#74
Pierre Yves Donze, que dispensa apresentações, lançou semana passada um livro sobre a Rolex e que, pasme, tem o aval da própria marca, que normalmente é bem secreta nessas coisas.

Sairá em inglês também no futuro. Vejam

https://coron.et/new-1minute-reads/rolex-fabrique-du-temps-book-donze
#76
Encerrando a análise do estudo da Morgan Stanley sobre o mercado suíço em 2023, é importante ressaltar o desempenho da Omega, que pela primeira vez foi desbancada no ranking de faturamento pela Cartier. A Omega, com um desempenho 4% maior do que 2022, alcançou 2,6 bilhões de francos em faturamento, ao comercializar 570 mil relógios. A estratégia atual da marca é tentar uma maior penetração das linhas Seamaster e Speedmaster na China, da qual seu faturamento depende em 29%: a linha da Omega com maior número de produtos vendidos no oriente é a Constellation. O sucesso da Cartier, com 3,1 bilhões em faturamento (+8% e 660 mil relógios vendidos), deve-se a uma linha composta majoritariamente por produtos icônicos, além da excelente penetração no mercado feminino. Aliás, se as joias vendidas pela Cartier forem computadas, seu faturamento atinge a cifra dos 10,7 bilhões de francos. O sucesso da Hermès também pode ser explicado pelo grande interesse do público feminino, sobretudo chinês e coreano, que enxergam na marca a epítome do status. A obsessão das mulheres chinesas e coreanas por bolsas de grife é a mola propulsora deste crescimento, uma vez que a aquisição de tais itens normalmente é feita através da "venda casada" com relógios. A Breitling, exemplo de gestão na indústria, também passou a focar o público feminino, que hoje representa 20% de suas vendas: a contratação de Charlize Theron e Victoria Beckham como embaixadoras da marca é um exemplo disto. Finalmente, 2023 já é considerado o ano dos relojoeiros independentes, que pela primeira vez figuraram na lista das 50 empresas com maior faturamento, muito embora com participação global no mercado risível, se comparados aos grandes grupos (FP Journe faturou 98 milhões, com 37º lugar na lista; Moser 91 milhões, 38º lugar; Greubel Forsey 50 milhões, 49º lugar). Os estudos anuais da Morgan Stanley sobre o mercado costumam ser criticados pela falta de transparência na coleta de dados e conclusões baseadas em suposições. Aliás, o Swatch Group manifestou-se recentemente no sentido de os dados estarem equivocados. De qualquer maneira, prestam-se à discussão de uma indústria tão complexa como a dos relógios suíços.


#77
Além de uma visão global da indústria, o estudo publicado ano a ano pela Morgan Stanley também costuma analisar individualmente as marcas mais relevantes. Afinal, das 350 marcas existentes, apenas Rolex, Cartier, Omega e Patek, juntas, dominam 50% do mercado (as 25 empresas com maior faturamento representam 90% do mercado). Entre as marcas, a Rolex é a indiscutível líder: seu faturamento é maior do que o das outras 5 maiores marcas em conjunto! A tendência é que a Rolex, que possuía toda sua distribuição realizada através de terceirizados, passe a atuar de forma mista: a aquisição da Bucherer, que pode vir a gerar cerca de 7.5% do faturamento da marca no curto prazo, é um exemplo. Se a Rolex possuísse, a exemplo da Richard Mille, um canal de distribuição integrado através de boutiques próprias, seu faturamento seria muito maior, na casa dos 15 bilhões de francos. A Richard Mille, aliás, é o maior caso de sucesso da história da relojoaria, com margens de lucro de cerca de 50%, sem paralelo na indústria do luxo. Com um crescimento de 18% em 2023, nas palavras da Morgan Stanley, a marca está num "círculo virtuoso no qual a lucratividade aumenta desproporcionalmente ao número de produtos vendidos, que é relativamente estável (cerca de 5500 relógios por ano)". Na "tríade sagrada" da relojoaria suíça, a Patek incrementou seu faturamento em 14%, impulsionada pelo maior controle dos seus canais de venda (descredenciamento de vários revendedores) e encerramento da produção de modelos, com relançamento posterior com alguma "inovação" a justificar o constante aumento de preços. A Audemars Piguet também reduziu drasticamente seus pontos de venda (de 470 para 81) e em apenas 10 anos quadruplicou seu faturamento. Vacheron Constantin ultrapassou, pela primeira vez, 1 bilhão de francos em faturamento (+18%), certamente impulsionada pela grande procura pelos relógios das suas concorrentes diretas, AP e Patek. Resta saber se este crescimento será constante, uma vez que seus produtos costumam não reter valor no mercado secundário, o que impacta o desejo do consumidor em adquirir o bem.




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#78
Conforme ressaltado na postagem anterior, a indústria suíça de relógios caracteriza-se pela concentração. Os 4 maiores conglomerados suíços, com efeito, dominam 75% do mercado: Rolex com 31,9%, Swatch Group 19,4%, Richemont 18,7% e LVMH 5.8%. O faturamento do Swatch Group e Richemont, por sua vez, com grande portfólio de marcas, é diretamente impactado pela performance discrepante de cada uma das suas manufaturas. No Richemont, por exemplo, Lange & Sohne, Vacheron Constantin, Cartier e Van Cleef & Arpels apresentaram bons resultados. A Cartier, aliás, superou a Omega pela primeira vez na história (7.54% vs 7.49% do mercado). No entanto, o faturamento global do conglomerado foi afetado pelo desempenho ruim da IWC (-13%), o que é explicado no estudo por uma política desproporcional de preços da marca: a Omega, sua concorrente direta, por exemplo, oferece produtos tecnicamente mais avançados e com melhor preço. O Swatch Group também tem problemas causados pelo seu grande portfólio de marcas. Apesar de Tissot e Swatch terem tido bom desempenho (somente o Moonswatch gerou 480 milhões de francos para o grupo), o Swatch Group se mostrou como o maior "doador" de fatia de mercado para outros grupos, sobretudo Rolex. A realidade é que o Swatch Group depende muito da Omega, que gera cerca de 60% de seu faturamento. Empresas outrora relevantes, como Breguet, atualmente representam pouco dentro do conglomerado. E mesmo entre as empresas mais lucrativas do grupo, como a Longines, há problemas estruturais a serem superados: a marca, por exemplo, teve uma queda de 6% em seu faturamento, o que é explicado pela extrema dependência do mercado chinês (65% da sua produção é vendida na China), que só agora demonstra sinais de reaquecimento. Os conglomerados com número pequeno de empresas também tiveram seus "problemas": no grupo Rolex, por exemplo, a Tudor teve sua primeira queda de faturamento (-4%) desde 2017! E o fato por ser explicado por fatores atribuídos à sua empresa irmã, a Rolex. Com a queda de preços da Rolex no mercado secundário e maior disponibilidade no regular, o consumidor se volta para esta marca em vez da Tudor.



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#79
Pelo 7° ano consecutivo, a empresa de consultoria Morgan Stanley, em parceria com a LuxeConsult, disponibilizou um profundo estudo sobre o mercado relojoeiro suíço. As tendências verificadas em 2022 persistiram e intensificaram-se: incremento da polarização, com as maiores empresas adquirindo parcelas cadas vez mais expressivas do mercado; e a "premiumização", a criação de produtos mais caros e que reflitam a posição social do consumidor. Indicarei em uma sequência de postagens os mais relevantes dados extraídos da pesquisa. É importante ressaltar, inicialmente, que os smartwatches, ao contrário do propalado há alguns anos, pouco impacto tiveram sobre a indústria suíça de relógios como um todo: com a reabertura do mercado chinês, a Suíça ultrapassou, pela primeira vez, a barreira de 50 bilhões de francos em vendas em 2023, um crescimento de 8%. Duas exceções à "premiumização" foram verificadas: a Swatch teve o maior crescimento entre todas as empresas analisadas (faturamento 63% maior) e contribuiu com 75% do aumento de volume de vendas de toda indústria (900 mil unidades a mais); a Tissot, por sua vez, aumentou em 14% o seu faturamento, impulsionada pela linha PRX (60% de seu crescimento se deve a esta linha específica). Rolex, Audemars Piguet, Patek e Richard Mille subtraíram parcela de mercado de todas as outras empresas, intensificando a polarização: elas respondem sozinhas por 43,9% de todo faturamento da indústria. Os grandes grupos (Richemont, LVMH e Swatch) foram os maiores "doadores" de parcela de mercado, em virtude da performance discrepante de suas marcas. Swatch, Tissot, Vacheron Constantin e Cartier, por exemplo, tiveram bom desempenho; por outro lado, IWC, Panerai, Jaeger Le Coultre e Piaget não, o que impactou o faturamento total dos grupos aos quais pertencem. A Rolex se mostrou como a principal ganhadora de fatia de mercado das demais, ultrapassando, pela primeira vez na história, 10 bilhões de francos em faturamento. Seu domínio de mercado (30,3%) é algo sem precedentes na indústria do luxo (a título de exemplo, a Louis Vuitton, considerada exemplo de concentração o mercado de luxo, detém "apenas" 19% de todo mercado de bolsas).




#80
Fórum principal / Longines Ultra Quartz
06 Março 2024 às 15:16:47
Texto publicado agora no Instagram

Em 1927, enquanto trabalhavam nos laboratórios da Bell Telephone para criar um método confiável para determinação de frequências de transmissão de rádio, Warren Marrison e Joseph W. Horton acidentalmente fabricaram o primeiro relógio a quartzo da história: ao utilizarem um circuito eletrônico para dividir a frequência de um oscilador a quartzo, eles conseguiram acionar um motor síncrono que movimentava ponteiros. No entanto, o aparelho, que funcionava com válvulas, ocupava o volume de um aposento. O relógio a quartzo de pulso, assim, já existia como conceito, bastando "apenas" reduzir o tamanho do modelo de Marrison a míseros 3 cm³... As empresas suíças de relojoaria se interessaram pela tecnologia pouco tempo depois, sendo que Omega e Longines cronometraram os Jogos Olímpicos de 1952 com relógios a quartzo de fabricação própria. Em 1954, a Longines obteve o recorde de precisão nas competições de cronometria de Neuchatel, com um relógio a quartzo pouco maior do que uma caixa de sapatos. O próximo caminho era a miniaturização do modelo. Em 1964, a Longines firmou uma parceria com a empresa de engenharia eletrônica Bernard Golay, com o intuito de fabricar um relógio de pulso. Em 1967, no entanto, o CEH, que inclusive era patrocinado pela Longines, apresentou o 1° protótipo de relógio de pulso da história (Beta 1) que, submetido às competições naquele ano, pulverizou todos os recordes. O modelo, porém, utilizava um divisor de frequência flip-flop. O sistema em desenvolvimento pela Longines, muito mais simples, não utilizava divisores de frequência e, em tese, poderia ser produzido em massa em menor tempo. Então, apressou seu desenvolvimento e, em 20 de agosto de 1969, 4 meses antes do Seiko Astron e 8 meses antes do Beta 21, apresentou ao público o "Ultra-Quartz", o "primeiro relógio a quartzo comercializado do mundo". Em 2010, em um canto obscuro do Museu de Relojoaria de La Chaux de Fonds, deparei-me com algo de que nunca ouvira falar, um módulo do "Ultra-Quartz", um emaranhado de componentes eletrônicos soldados à mão. A realidade é que a marca só conseguiu comercializar os primeiros modelos em 1971, transformando-o em um rodapé na história da relojoaria....




#81
Excelente vídeo publicado recentemente pelo Tim Mosso, ajustando vários tipos de calendários:

- Patek, o tradicional, com a necessidade de prestar atenção nas horas de ajuste e com necessidade de utilizar chave para acionadores;
- IWC, mecanismo engenhoso que pode ser ajustado somente pela coroa, muito embora só ande para frente (se você errar a data para mais, tem que esperar o dia chegar com o relógio parado...) e necessite também de horário especial para mudança dos parâmetros
- Ulysse Nardin, tudo pela coroa, para frente e para trás, sem horários e o relógio ainda leva em conta os erros do calendário gregoriano
- Moser: Idem, mas mais simplificado ainda, já que só mostra ao usuário o que ele precisa saber, dia e mês


https://www.youtube.com/watch?v=5aZ8_P9Ecas&t=82s
#82
Olha que legal essa passagem do Signo dos Quatro



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#83
O Jack Forster, que contribuía para o Hodinkee, quem diria, e hoje está no Watchbox, é um dos poucos jornalistas de relojoaria que tenho paciência de acompanhar com afinco. Vale a pena ler este texto dele publicado agora, cujo resumo está neste parágrafo

"Se os preços continuarem a subir, a disponibilidade continuar a ser escassa e as marcas continuarem a pensar nos seus clientes como possuidores de fundos ilimitados e de paciência ilimitada, posso ver a indústria a entrar numa fase moribunda na qual terá de trabalhar arduamente para recuperar o sentimento de interesse, entusiasmo e prazer de possuir que deveria caracterizar a alta relojoaria".



https://jackforster.substack.com/p/its-2024-is-this-the-year-everyone
#84
Olha que post legal. O relojoeiro que toma conta do Big Ben contou como foi apreensivo ajustar o relógio para a batida o mais correta possível na virada do ano, o que foi obtido mediante o acompanhamento diário de marcha e utilização de moedas menores para os ajustes.

Texto aqui, em inglês:

https://www.ahsoc.org/blog/ringing-in-the-new-year/

E já passado no tradutor aqui para os preguiçosos

Esta postagem foi escrita por Andrew Strangeway

Como relojoeiro ou relojoeiro praticante, há um momento específico enquanto espera o relógio bater quando o tempo parece desacelerar. Este momento é mais assustador quando as ruas lá fora estão repletas de 100.000 pessoas e outros milhões estão assistindo ao vivo pela televisão, e streaming, esperando ouvir o relógio tocar.

No dia 31 de dezembro tudo se resume a um único momento, quando a nação observa e espera que o Big Ben toque e sinalize o início do novo ano. Nos bastidores, porém, são necessários meses de preparação para garantir que este primeiro golpe de martelo seja acertado na hora certa. Além da instalação de equipamento de transmissão adicional, manutenção regular e corda três vezes por semana, há também cronometragem: garantindo, literalmente, que o relógio esteja na hora certa.

Nos meses que antecederam o final de 2023, a cronometragem do Grande Relógio foi o foco principal. Após o intervalo de seis anos durante a manutenção do relógio e da torre, os sinos ao vivo duas vezes ao dia finalmente retornaram às ondas da rádio BBC em 6 de novembro. Este Ano Novo marcou o 100º aniversário desde que os sinos foram transmitidos ao vivo pela primeira vez na véspera de Ano Novo. Era uma questão de orgulho que o relógio funcionasse bem e batesse na hora certa.

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Quando foi instalado pela primeira vez, o Grande Relógio era, com alguma margem, um dos relógios públicos mais precisos do mundo. A especificação original do relógio, estabelecida em 1846 por George Airy, o Astrônomo Real, exigia que "o mecanismo de toque fosse organizado de modo que o primeiro golpe de cada hora tivesse precisão de um segundo". Como relojoeiros, o nosso trabalho é garantir que o relógio permaneça fiel a este propósito original. Para nossa vantagem, temos cronometristas altamente precisos para comparar o Grande Relógio e, armados com essas informações, podemos regular o pêndulo com cuidado e, na verdade, exceder confortavelmente a meta original de precisão.

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Desde que comecei no Palácio de Westminster em agosto de 2023, implementei o uso de um novo cronômetro personalizado para aumentar a precisão da cronometragem do primeiro golpe do martelo da hora e um regime aprimorado de regulação da velocidade do relógio. pêndulo. A mecânica central da regulação permanece a mesma: a colocação ou remoção de pesos, na forma de moeda antiga, numa pequena plataforma a meio caminho do comprimento da haste do pêndulo. Notoriamente, um centavo pré-decimal adicionado acelera o relógio em cerca de 2/5 de segundo em 24 horas. Eles são um pouco pesados ​​​​e o ajuste é muito grosseiro se se deseja um grau de precisão mais preciso. Comecei a usar centavos e centavos para regulamentação, gentilmente emprestados para esse fim por meu colega da equipe de relógios, Ian Westworth. Estes aceleram o relógio em cerca de um quarto de segundo por dia e um décimo de segundo por dia, respectivamente.

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Nos últimos dias que antecederam a véspera de Ano Novo, eu estava no topo da torre, na hora certa, durante todo o dia, para fazer a leitura do tempo da batida e fazer pequenos ajustes para acertar o relógio com precisão. Por sorte, na noite do dia 30, sofremos ventos fortes, que atingiram a torre e foram suficientes para atrasar o relógio em 0,2 segundos na manhã da véspera de Ano Novo. Consegui corrigir isso à noite. Chegou a meia-noite e o Big Ben soou, e a vista dos fogos de artifício do topo da Torre Elizabeth foi surpreendente. Foi incrível ver os fogos de artifício perfeitamente sincronizados com o toque do sino.

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Meus esforços de cronometragem foram recompensados ​​quando medimos o tempo do ataque a partir da gravação de som em comparação com um relógio GPS – esses resultados foram generosamente fornecidos por Mark Powell da DeltaLive. O resultado foi que o Big Ben bateu meia-noite exatamente às 23:59:59.981, menos de um quinquagésimo de segundo da meia-noite. Isso é menos de um quinto do tempo que leva para piscar os olhos. Devo confessar que estou bastante satisfeito com isso!

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#85
Fórum principal / O Galeão Mecânico
26 Janeiro 2024 às 17:32:58
Texto do Instagram que publiquei agora

Os convidados de Rodolfo II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, sentaram-se à mesa para mais um banquete. De repente, uma miniatura de um galeão que estava sobre a mesa passou a movimentar-se, causando espanto em todos os presentes. Pequenas figuras existentes na nau, compondo uma banda militar, começaram a tocar seus tambores e flautas, acompanhados por uma melodia executada em um mini órgão. Enquanto as bandeiras contendo o brasão de armas dos Habsburgos tremulavam em seus mastros, o timoneiro, uma reprodução em miniatura do próprio Imperador, conduzia o navio à apoteose: o disparo de dezenas de canhões.
Rodolfo II era um dos mais excêntricos monarcas europeus, patrono dos melhores artistas, mas também seguidor da astrologia, ciências ocultas e alquimia. E a relojoaria era mágica no século XVI... Em 1585, ao contratar o relojoeiro alemão Hans Schlottheim para construir a réplica do navio, Rodolfo sabia que impressionaria os mais importantes convidados do reino com um aparato que somente poderia ser descrito como "mágico". Mas não só... Mostraria às mais influentes pessoas sentadas à mesa uma metáfora, o navio representando o Estado, tendo como seu timoneiro o monarca Rodolfo. A ideia do Estado como navio e do governante como capitão estava introjetada na cultura europeia, e nada melhor do que utilizar a representação da máquina de guerra mais poderosa da época, o galeão, para enfatizar isto. Hans Schlottheim, ciente disto, produziu outros navios. Um deles, exposto atualmente no British Museum e fabricado para o Príncipe Eleitor Augusto da Saxônia, também por volta de 1585, contém uma procissão de figuras em miniatura de todos os Eleitores em saudação a Rodolfo, o Imperador. Tudo aquilo que o Galeão Mecânico buscava representar, a disciplina, ordem e perfeição do Estado europeu, não se refletiu nos destinos do Sacro Império Romano-Germânico. Rodolfo tentou impor à força o catolicismo em todo o Império, o que finalmente acarretou a Guerra dos 30 anos. O Império foi formalmente dissolvido em 06 de agosto de 1806, quando o último imperador, Francisco I, abdicou após sofrer uma derrota pelos franceses, sob comando de Napoleão....



#86
Fórum principal / Postagem de fotos e cobrança
16 Janeiro 2024 às 13:36:28
Recebi uma mensagem agora de usuário reclamando que o Tapatalk passou a cobrar pela postagem das fotos, que só podem ser colocadas no fórum através de pagamento de mensalidade. Eu sinceramente desconhecia isso... O Tapatalk só cobra para postagens em alta resolução e, que eu saiba, talvez eu seja o único usuário do fórum que posta eventualmente em alta resolução, porque eu tenho mesmo que pagar para sequer ter a conta de administrador. Mas usuário? Nunca ouvi falar nisso. Alguém vem enfrentando o mesmo problema ao postar fotos?

Flávio
#87
Fórum principal / O relógio de Lawrence da Arábia
15 Janeiro 2024 às 10:14:32
Eu não sabia que este relógio tinha sido achado assim... Vejam o vídeo abaixo. Depois disso aí (ano 2000), a Omega comprou o relógio em leilão por 85 mil dólares e o colocou no seu museu.

https://www.youtube.com/watch?v=UJJJc0f_OYc&t=15s
#88
Fórum principal / E agora os piores de 2023
10 Janeiro 2024 às 14:30:59
Na minha opinião...



Enviado de meu SM-A528B usando o Tapatalk

#89
Fórum principal / Oa melhores relógios de 2023
09 Janeiro 2024 às 13:12:53
Segundo minha opinião




Enviado de meu SM-A528B usando o Tapatalk

#90
Acho que este é um dos posts, senão o post mais inusitado que já escrevi. Coloquei agora no Insta

A relojoaria francesa, sobretudo a construção de reguladores de pedestal, seguiu um caminho completamente diferente da escola britânica. Na Inglaterra, tais relógios eram vistos apenas como instrumentos científicos que tinham como objetivo a melhor precisão possível, razão pela qual mecanismos que interferissem na marcação do tempo – como batidas de horas – eram considerados supérfluos. Na França, porém, os relógios eram projetados para decorar, ao lado de móveis suntuosos e pinturas, as salas de ricos e poderosos: frequentemente utilizavam gabinetes elaborados com inserções em bronze. Os franceses utilizavam o pêndulo "grelha" com compensação para temperatura, mas enormes quando comparados aos britânicos e, conquanto mais ostentativos, piores, em virtude da quantidade maior de metal utilizado.
Em 1811, o pintor oficial de Napoleão, Jacques-Louis David, foi contatado para um inusitado trabalho.... Na época, França e Inglaterra estavam em guerra, mas Alexander (futuro Duque de Hamilton), que já fora parlamentar britânico e atuara como embaixador na Rússia, queria decorar sua mansão com um retrato do "Grande Homem", segundo suas palavras. Hamilton genuinamente admirava Napoleão e isso nunca interferira nas suas obrigações militares e políticas com a Coroa Britânica. Napoleão não posou para David, mas considerando a posição política do cliente, certamente precisou dar seu aval antes da remessa da pintura concluída. O que o Duque recebeu foi uma das reproduções mais conhecidas de Napoleão e um potente instrumento de propaganda até hoje. Na pintura, Napoleão é mostrado aos 43 anos, vestindo o fraque azul dos Granadeiros, com as insígnias de General e Imperador. Sua mesa de trabalho contém um manuscrito do Código Napoleônico e um mapa enrolado indica seus estudos militares. Mas os detalhes cruciais estão no regulador com pêndulo "grelha" ao fundo, que mostra 4:13, e nas velas quase extintas: Napoleão é o estadista que nunca dorme e trabalha incansavelmente para guiar a Nação. O relógio, que poderia ser uma invenção de David, de fato existiu: num retrato de Luís XVIII feito após a queda de Napoleão, aparece na mesma sala e posição. Desconheço seu paradeiro atual.



#91
Confesso que sequer acompanhei o evento e, para dizer a verdade, há algum tempo eu apenas passei o olho nos indicados em cada categoria. Rápidos comentários:

- O óscar geral foi para um AP Super complicado da linha CODE (o troço tem super soneria, algo que eu sequer sei o que seja. Soneria em relógio normal é o carrilhão, como de relógios de pedestal, algo raro em relógios de pulso). Eu sinceramente não vejo mais muita graça em relógios super complexos, que me parecem tour de forces absolutamente inúteis, muito embora saiba do histórico que tais relógios possuem. E vou além: a AP tenta, de qualquer modo, enfiar pela goela dos seus consumidores o tal Code, que eu sinceramente acho um relógio genérico. Não vi graça no visual do troço.

- Piaget feminino. É.... Bonita jóia, muito embora não saiba quem estava competindo, então sequer posso opiniar.

- Dior feminino complicado. Eu sequer sei o que o relógio faz mas, também concordo com o articulista do texto abaixo do hadunken: para que uma categoria de relógio feminino complicado?

- Simon Brette. Sou suspeito. Para mim este é um dos melhores lançamentos da relojoaria dos últimos anos e TINHA, DISSE TINHA, um preço até justo de lançamento, na casa dos 50 mil francos. Certamente os novos modelos virão com preços pega idiota muito maiores.

- Voutlanien world timer. A complicação é padrão, a caixa não, estou tão acostumado com os modelos comuns do cabra que achei até estranho. Sei lá se gostei...

- Iconic. É... Para que essa categoria, para que? Sério, para que isso? Mas enfim, gosto muito dos Freak e já coloquei até post no insta (feed) sobre o modelo. Teria um facilmente. Gostei

- Cronógrafo. Eh... Eu gostei muito deste Peterman Bedat, muito embora ache que o preço é completamente fora da realidade, mesmo para o mercado atual. Mas curti

- Tudor Pelagos. Adoro este relógio e acho que a Tudor oferece muito a preços justos. Na gringa, claro. A autorizada do Brasil seguiu margens da Rolex e, portanto, não vale a pena, na minha opinião: Tudor não tem imagem nem bala na agulha para competir em preços com Omega, e é o que está ocorrendo no Brasil

- Bell Canto da Ward. Adoro este relógio e tem preço justo. Sem mais

- Raymond Weill. Gostei muito deste modelo e custa "barato". Teria um facilmente.

Artigo aqui

https://www.hodinkee.com/articles/all-of-the-2023-gphg-winners-and-our-quick-takes
#92
O Adriano acabou de lançar um livro, que já pode ser baixado imediatamente em ebook para Kindle na Amazon BR. Como prefiro livro físico, também pode ser comprado na Amazon USA por cerca de 250 reais, entregue em casa. Link abaixo

https://www.amazon.com/dp/B0CL8X7YKP?ref_=cm_sw_r_mwn_dp_SM385F71HCQBXCM5JTDD&language=en_US

Eu sequer vou rasgar seda para o Adriano, quem quiser entre agora nos stories do @relogiosmecanicos para ver o que disse. Para mim é um marco, não há obras em português sobre relojoaria e o Adriano tem um conhecimento e facilidade na sua exposição melhor do que qualquer gringo atual. Aliás, aguardando a versão em inglês do livro!
#93
Para quem é da prática, essencial esta tabela, sob pena de os resultados de leitura de amplitude nos timers serem errados

https://watchguy.co.uk/cgi-bin/lift_angles
#94
Fórum principal / O caso Jean-Pierre Jaquet
20 Setembro 2023 às 19:42:37
Em janeiro de 2002, um furgão contendo mil caixas em ouro de relógios deixou a Rolex para que fossem polidas na Miranda, uma companhia especializada situada em La Chaux de Fonds. Logo após estacionar na porta da Miranda, o motorista foi rendido por assaltantes com armas de fogo e toda carga foi roubada. Em julho do mesmo ano, criminosos armados ingressaram na fabricante de componentes RSM, situada em Le Locle, renderam funcionários e subtraíram 12 quilos em ouro de um cofre. Finalmente, cerca de 20 relógios foram roubados da Ulysse Nardin, inclusive um modelo ainda em fase de protótipo, que acabou anunciado em leilão realizado pela Antiquorum, em março de 2003. Alarmada, a Polícia Suíça começou a investigar os fatos e rapidamente prendeu um cidadão bósnio envolvido no roubo ocorrido na Miranda. Interrogado, o bósnio comprometeu um dos maiores expoentes da indústria suíça de relógios, Jean-Pierre Jaquet. A Polícia, então, passou a interceptar suas comunicações telefônicas.... Jean-Pierre iniciou sua carreira como vendedor de relógios antigos, tendo sido condenado em 1983 e 1990 pela prática de furto e receptação. Logo após, ao notar a necessidade do mercado por movimentos complexos, Jean-Pierre fundou a Jaquet-Baume SA, que rapidamente se tornou fornecedora da Franck-Muller, Girard Perregaux, FP Journe, Sinn e quase todo grupo Richemont. A companhia especializou-se na modificação do movimento ETA 7750, adicionando-lhe diversas complicações exclusivas. Em 1995, associou-se a Ernst Thomke, um dos idealizadores do Swatch, e relançou as marcas Graham e Arnold & Son. No dia 07 de outubro de 2003, em seu escritório, Jean-Pierre foi preso. Ao realizar buscas na sede da empresa, a Polícia descobriu um esquema sofisticado de falsificação de relógios, no qual cópias de movimentos Rolex fabricados pela Jaquet-Baume eram inseridos nas caixas roubadas da Miranda. Jean-Pierre, concluiu a Polícia, associara-se ao dono da Miranda e funcionários da Ulysse Nardin para praticar os crimes. Em 2008, Jean-Pierre foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão e multa de 750 mil francos. Afastado da companhia, esta mudou seu nome para La Joux-Perret.


#95
Texto publicado agora no Istagram

Em 1504, em uma taberna de Nuremberg, o chaveiro Peter Henlein se envolveu em uma briga com um certo Georg Glaser. Acusado de homicídio, Henlein buscou refúgio no Mosteiro de Nuremberg, onde permaneceu entre os anos de 1504 a 1508. Na época, a cidade de Nuremberg era o cavalo motriz da Renascença Germânica e o Mosteiro Franciscano vivia o auge da sua vida religiosa e científica. Henlein, então, teve acesso a conhecimentos matemáticos, astronômicos e metalúrgicos que lhe permitiram construir os primeiros relógios portáteis da história. Ainda em 1511, por exemplo, Johann Cochlaeus descreveu como um certo "Peter Henlein, com um pouco de ferro, constrói relógios com várias engrenagens, que podem receber corda, sem pêndulo, e que funcionam por 48 horas, podendo ser carregados em uma bolsa ou junto ao peito". Um documento de 1524, por sua vez, assegurava que Henlein havia vendido um dos seus relógios portáteis pela quantia de 15 florins e tinha em sua lista de clientes Martinho Lutero, o Príncipe Eleitor Frederico III e Filipe Melâncton. Acreditava-se, porém, que nenhum exemplar fabricado havia resistido ao decurso do tempo... Em 1987, um aprendiz de relojoeiro estava em Londres quando adquiriu, em uma feirinha de antiguidades, uma caixa contendo relógios antigos, pela quantia de 10 libras. Na caixa, encontrou um pequeno modelo que parecia muito antigo, mas não lhe deu valor, repassando-o a um comprador. Algum tempo depois, o novo dono, imaginando tratar-se de uma falsificação, vendeu o relógio. O novo proprietário, intrigado com o objeto, contatou especialistas em metalurgia e horologistas para o analisarem. Com a utilização de escaneamento a laser, raio-X e fotografia microscópica, diversas inscrições "PH" foram encontradas nas peças, assim como o desenho de uma torre de Nuremberg cujo perfil só podia ser visto por quem estivesse dentro do Mosteiro Franciscano. Finalmente, o escrito "MDVPHN" (1505 Peter Henlein Nuremberg) confirmou as suspeitas: tratava-se do relógio mais antigo já encontrado. O item, comprado originalmente por 10 libras, foi avaliado em 70 milhões.


#96
O calibre 4030, como todo sabem, é baseado no Zenith El Primero, com modificações. Já li textos dizendo que as modificações alteravam 50% da peças mas, após ler o texto abaixo (está em italiano, usem o tradutor, como eu fiz), percebi que não chega a tanto. Mas tem muita coisa modificada. O acabamento é totalmente diferente e, nesta versão antiga do El Primo, melhor no Rolex. Mas ouso dizer que o acabamento Zenith, pelo menos do meu relógio, que é um El Primo de 2014, parece similar, senão melhor. Mas onde estão as modificações técnicas. Basicamente, de cabeça, são essas:

- Massa oscilante diferente no Rolex, para melhor amortecer choques
- Rodas reversoras diferentes, melhor na Rolex, que usa cliqués tradicionais internos, e não dois araminhos externos, como na Zenith
- Roda de transmissão do cronógrafo diferente, perfil dente reto na Rolex, epicicloidal na Zenith (não sei o que é melhor)
- Perfis internos de todas as rodas Rolex diferente, o que não afeta em nada o desempenho (as Zenith tem melhor acabamento)
- Retém dos acionadores dos cronos diferentes (não sei se um é mais vantajoso que o outro)
- Balanço, ponte do balanço, espiral, roda de escape, etc, ou seja, todo escapamento, completamente diferente no Rolex. Aliás, como a rodagem foi mantida no Rolex (número de dentes), eu presumo que a alteração de frequência (para o balanço "casar" com a rodagem) se deu na roda de escape: a Zenith tem 21 dentes, a Rolex 20. Confere isso? Porque não teria como simplesmente manter toda relação de rodagem e simplesmente mudar o balanço, a frequência não seria alterada para 28800. Tá certo isso Adriano e demais da labuta?
- Diferenças em perfis de algumas alavancas do crono, muito embora os pontos de contato sejam os mesmos
- Ausência de todo mecanismo de data no Rolex, apesar de mantida a mesma platina inferior (as furações estão lá...)


Acho que são essas coisas. Se eu fosse chutar, eu diria que mais de 50%, para dizer a verdade quase tudo, tem um acabamento diferente na Rolex. Porém, em funcionalidade mecânica, ou seja, em alteração funcional, eu chutaria uns 25%. Certamente as peças idênticas podem ser substituídas entre si, inclusive rodas. O resto não.

Vejam

http://www.orologeria.com/italiano/rivista/rivista019.html
#98
O Sílvio Pereira, que contribui no Instituto Português de Relojoaria, tem uma série de artigos sobre o tema, bastante completos, em em português! Aliás, são tão completos que ainda não tive tempo de ler todos, mas vale muito a pena. Fica aqui o perfil dele para acompanharem os artigos:

https://www.institutoportuguesderelojoaria.pt/profile/sp/profile
#99
Fórum principal / Blog Grailwatch.com
11 Julho 2023 às 15:27:31
Já indiquei aqui o blog, mas o faço novamente, pois é atualmente o maior repositório de textos FODA sobre relojoaria raiz, aquele troço da pesada que te exige concentração e tempo para ler, mas te dá um conhecimento absurdo. Nada dessas bostas de Tik Tok e redes sociais dos dias de hoje, o bom e velho texto gigante com referências a dar com o pau e com muito conteúdo. Fica a dica e nem há a desculpa atualmente da língua, basta clicar com o botão do mouse direito e traduzir.

https://grail-watch.com/
#100
Este é o 4o e último post a respeito da história da ressonância, publicado no Instagram

Em 1982, um jovem relojoeiro chamado François-Paul Journe, que se formara na Escola de Relojoaria de Paris em 1976, trabalhava como aprendiz de seu tio, o também relojoeiro Michel Journe. Então, Michel recebeu do Museu de Artes e Ofícios de Paris um relógio fabricado por Breguet para restauração. Curioso, Paul Journe percebeu que o relógio continha dois pêndulos, algo que nunca havia visto, e passou a questionar a utilidade do sistema. Ao desmontar o relógio, percebeu que os pêndulos funcionavam unidos a um mesmo suporte e mantinham excelente precisão. Fascinado com o mecanismo, ponderou se conseguiria fazer algo semelhante. Encerrado seu aprendizado, Paul Journe se tornou relojoeiro independente e fabricou seu primeiro modelo, um relógio de bolso com turbilhão. Em 1984, um colecionador encomendou a Journe um novo relógio e ele vislumbrou uma oportunidade. Em vez de replicar seu primeiro modelo com turbilhão, propôs ao colecionador a construção de um relógio de bolso com dois balanços sincronizados, a exemplo do que Breguet já fizera antes. Após um ano e meio de tentativas e, para frustração do colecionador, Journe desistiu do projeto: era o 2º relógio que tentava construir na sua carreira e suas capacidades técnicas não estavam desenvolvidas o bastante. Em 1995, já famoso no mundo da relojoaria, a ideia de um modelo com dois balanços sincronizados retornou à sua mente. Em 1999, na Feira da Basileia, Journe apresentou ao público um relógio de pulso que eclipsava sua tentativa frustrada de fabricação de um modelo de bolso, o "Cronômetro à Ressonância". O relógio, aclamado pela sua performance, vinculava os criadores do passado, como Antide Janvier, ao presente. Por fim, no ano de 2015, os pesquisadores portugueses Henrique Oliveira e Luís Melo comprovaram e validaram o modelo de Huygens criado mais de 350 anos antes, indicando que a transferência de energia entre os pêndulos ocorria através de ondas sonoras.