Autor Tópico: Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee  (Lida 261 vezes)

Offline flavio

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Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Online: 22 Setembro 2018 às 11:45:38 »
São 45 minutos, infelizmente em inglês, o que é barreira para muito foristas (mas o inglês do Dufour é tão tabajara que simples de compreender), mas com divagações tão atuais e tão consentâneas com o que eu penso que vale a pena ouvir. Algumas citações:

- Há poucos anos, você pegava um relógio de alta qualidade e o seu acabamento era perfeito, hoje não mais. A indústria se contenta em vender relógios nos quais as imperfeições apenas não apareçam a 30 centímetros de distância. Porém, não só cobram mais caro pelos mesmos modelos como ainda os entregam com lupas, num contrassenso tremendo!

- Se as marcas de altíssimo nível, não de entrada, querem se sobressair, devem buscar mostrar o componente humano da equação. Sim, há máquinas que fazem acabamentos melhores do que as mãos humanas mas... Você se impressionaria se um robô conseguisse replicar a Monalisa de Da Vinci? Pois é... Temos que resgatar o componente humano da equação. As pessoas gostam de saber que há uma mão humana responsável pela montagem do relógio, pois cria uma conexão que torna o produto diferente de todos os outros.

- O mercado de leilões atuais é um completo no sense, não se dá valor à história ou componente humano do relógio, mas apenas ao seu visual. Não me perguntem o que significa as referências 55 isso, 55 aquilo, pois não sei e não me interessa. Tropical dial? Isso é ridículo.

- Se uma pessoa paga, digamos, 20, 25 mil dólares num relógio de luxo e, ao levá-lo para manutenção alguns anos depois, a manufatura cobra cerca de 25% do seu valor como mão de obra, essa empresa acabou de perder um cliente.

- Em uma intervenção do Jack Forester que, diga-se, achei um cara ponderado, este comentou: os preços atuais estão tão absurdos que, mesmo para um profissional de prestígio americano, como um médico, que ganha cerca de 25 mil dólares por mês, são proibitivos. O cara pode até comprar um relógio apenas de 5, 6, 7 mil dólares, mas gastar 20 mil dólares num produto, tendo crianças para alimentar, escola para pagar, etc? Isso é um completo absurdo. O pior é que os preços subiram tanto que os grandes entendidos em relojoaria de poucos anos atrás simplesmente foram alijados das compras porque não tem mais cacife para adquirir os produtos, que hoje são comprados por novos ricos que não tem conhecimento algum. As empresas devem se perguntar: como fui perder esse consumidor?

- Dufour é questionado qual relógio indicaria para um iniciante que quisesse ter apenas um, de qualidade honesta e preço justo. Resposta? Rolex. Segundo ele, a fábrica ainda tem bom custo benefício e, apesar de não usar mão de obra artesanal, pelo menos não mente a respeito disso. O articulista pergunta: mais alguma outra? Sim, a Nomos alemã. Fazem produtos honestos, atemporais e com grande parte de artesanato. Mais alguma? Ele para... Pensa... Não. Nenhuma. E dá uma risada...


Ouçam. Vale a pena.


https://www.hodinkee.com/articles/hodinkee-radio-bonus-episode-philippe-dufour




Flávio
« Última modificação: 22 Setembro 2018 às 11:48:13 por flavio »

Offline jfestrelabr

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #1 Online: 24 Setembro 2018 às 08:17:49 »
Muito bacana titio, eu assisti ontem.
Rolex ou Rolex.

Fórum Genérico, respostas genéricas.

Offline Kauebm

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #2 Online: 27 Setembro 2018 às 01:06:10 »
Outro comentário digno de nota foi o de que tourbillon é uma complicação para relógios de bolso. Em relógio de pulso, puro "gimmick", firula para quem não entende da coisa. "Seu braço é o tourbillon!".

Foi uma das entrevistas mais interessantes dos últimos tempos e certamente o melhor episódio do podcast deles até aqui.

Offline Adriano

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #3 Online: 27 Setembro 2018 às 11:45:13 »
Outro comentário digno de nota foi o de que tourbillon é uma complicação para relógios de bolso. Em relógio de pulso, puro "gimmick", firula para quem não entende da coisa. "Seu braço é o tourbillon!".

Foi uma das entrevistas mais interessantes dos últimos tempos e certamente o melhor episódio do podcast deles até aqui.

E de quebra o turbilhão envolve tantas variáveis mecânicas e consome energia de maneira tão inconstante (e por consequência a energia chega ao escapamento da mesma forma) que um escapamento comum termina oferecendo - hoje - um desempenho cronométrico melhor.

É frustrante testar a precisão de um turbilhão.

Abraços!

Adriano

Offline João de Deus

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #4 Online: 27 Setembro 2018 às 13:11:16 »
- Dufour é questionado qual relógio indicaria para um iniciante que quisesse ter apenas um, de qualidade honesta e preço justo. Resposta? Rolex. Segundo ele, a fábrica ainda tem bom custo benefício e, apesar de não usar mão de obra artesanal, pelo menos não mente a respeito disso. O articulista pergunta: mais alguma outra? Sim, a Nomos alemã. Fazem produtos honestos, atemporais e com grande parte de artesanato. Mais alguma? Ele para... Pensa... Não. Nenhuma. E dá uma risada...

Fiquei triste e se o Gravina visse também ficaria!
E NOSSA querida OMEGA?
João

Offline igorschutz

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #5 Online: 27 Setembro 2018 às 13:33:03 »
E NOSSA querida OMEGA?

O preço dos Omega não é justo. Não é a toa que o preço dos usados derretem.
Opinião é como bunda: todos têm a sua. Você dá se quiser.
Opinião é como bunda: você dá a sua e eu meto o pau.

NÃO ACREDITE NO QUE 'FALAM' AQUI, ESTUDE BEM E TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Offline Kauebm

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Re:Podcast com o Philippe Dufour no Hodinkee
« Resposta #6 Online: 27 Setembro 2018 às 15:34:09 »
E de quebra o turbilhão envolve tantas variáveis mecânicas e consome energia de maneira tão inconstante (e por consequência a energia chega ao escapamento da mesma forma) que um escapamento comum termina oferecendo - hoje - um desempenho cronométrico melhor.

É frustrante testar a precisão de um turbilhão.

Abraços!

Adriano

Taí outro aspecto interessante da complicação que eu não conhecia. Valeu, Adriano!